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Lugar de mulher é no quadrinho. E onde ela quiser.

*Por Meiri Farias

No fim da semana passada, mais uma vez constatei o crime que cometemos desde o dia do nascimento. Um crime sem habeas corpus, ou fiança e pela qual somos julgadas e condenadas diariamente. Esse crime é ser mulher. Depois da barbárie que se tornou a internet com a viralização de homens adultos postando abomináveis e nojentas manifestações de “interesse” (pedófilia) por uma garota de 12 anos, a Valentina do participante do programa Master Chefe em sua  versão infantil. A indignação de milhares de mulheres gerou o movimento #MeuPrimeiroAssedio, encabeçado pelo genial Think Olga, onde garotas subiram seus relatos aos trend topics, obrigando a sociedade por bem ou mal, a enxergar. Sim nos existimos. Sim, somos assediadas todos os dias. E sim, isso é violência.

mulher no quadrinho

Por coincidência ou urgência do destino, o Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, evocou a necessidade de discutir direitos humanos, pluralidade de ideias e também gênero. Pois é, teve mulher no Enem. Teve Violência contra a Mulher como tema de redação. E uma enxurrada de demonstrações práticas de como o tema é necessário, dada a repercussão polêmica que o caso trouxe. Nunca foi tão perceptível a degradação que a mentalidade machista causa em nosso meio: justificativas, desculpas e acusações, claro. Porque é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que a sociedade entender que a questão não é ensinar garotas a “se comportar” adequadamente e sim que respeito é um direito de todos. E que não adianta ditar regras de comportamento opressoras, estamos em processo de alforria.

Refletindo sobre isso e aproveitando o fim do outubro rosa  – que causou tanto alvoroço –  e resolvemos homenagear novamente as meninas que estão fazendo diferença com sua arte. Em março destacamos as garotas da música no especial “EnCantadoras” e hoje o dia é dedicado ao quadrinho. A lista é totalmente baseada em preferência pessoal, mas para quem quer conhecer outros trabalhos tão bacanas e inspiradores quanto, indicamos o site Lady’s Comics que tem um projeto muito serio e comprometido a divulgação de quadrinho produzido por mulher. Entrevistamos as Lady’s aqui.

E vamos a lista!

O trabalho da Lu Cafaggi tem o impacto poderoso que só as coisas doces possuem. Seu traço tem uma delicadeza que envolve e te faz querer brincar com a história. Conheci o trabalho da jornalista e quadrinista mineira por meio das releituras (em parceria com o irmão Vitor) que fez para a Turma da Mônica em Laços e Lições (resenha na semana que inicia). Os irmãos Cafaggi têm o dom de fazer com que a nostalgia ative nossa memória afetiva e o trabalho da Lu, em especial, tem a capacidade de comover independente de balões. Recentemente lançou um o livro “Quando tudo começou” em parceria com a blogueira Bruna Vieira.

Lu 1

Lu 2 Lu 3


Mesmo que você não conheça o trabalho da Rebeca Prado, provavelmente já curtiu ou compartilhou  no Facebook de alguém, por meio da pagina Inc. Rebeca pública tiras cômicas e geniais que causam identificação imediata. Seu trabalho chegou até mim por meio do projeto de financiamento coletivo que lançou para publicar seu livro “Navio Dragão“, uma coletânea de tiras sobre uma pequena viking “adorável” que coleciona escalpos e não preza muito pela simpatia. Para saber um pouco maia sobre a Rebeca, vale conferir a entrevista que fizemos com ela na época da campanha.

Rebeca 2Rebeca 3

Rebeca 1


Samanta Flôor também usa o humor como objeto, mas sempre buscando o “tosco” do cotidiano. Sua página Toscomics, traz tiras malucas – e por vezes escatológicas que causam aquela sensação de “não acredito que mais alguém pensa isso!” vale conferir sua página no Tumblr, é divertida demais! Samanta também publicou recentemente o livro infantil “O Astronauta de Pijama”. Confira a entrevista aqui.
Samanta 3

Samanta 1 Samanta 2


Tenho uma relação muito especial com o trabalho da Luara Almeida por todo contexto que tem. Seu livro “Carolina, sua vida vai ser linda” é a HQ biográfica, melhor, um livro de memórias em quadrinho, onde conta a história de Carolina Seixas, uma imigrante Italiana que chegou ainda criança no Brasil. Carolina, além de personagem e inspiração, é a bisavó de Luara, o que  faz do trabalho um projeto ainda mais especial. Para conhecer mais, confira a resenha que fizemos do livro e a entrevista com a autora.

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Luara 3


Folhear o livro “Gata Garota” da Fefê Torquato é uma experiência surreal. A edição lindíssima que a editora Nemo deu a webcomic da autora, faz com que você tenha a necessidade de ter o livro em mãos. (mas caso não seja possível, vale conferir a história por partes no site). A arte em estilo Noir é deslumbrante e roteiro hilário e instigante ao mesmo tempo. É o tipo de livro que você folheia como se assiste a um filme. Comentamos mais sobre o livro e a autora aqui.

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Conheci o trabalho da Bianca Pinheiro da forma que conheci meus livros favoritos. Sem ter qualquer contato prévio, descobri a capa maravilhosa de Bear durante a Bienal de SP em 2014. Esse formato lindo de imenso, que respeita o formato na qual a webcomic é originalmente publicada na internet, tem propiciado experiências de leitura e encontro maravilhosas. Sobre Bear I e II, creio que a Beatriz Farias tem mais propriedade para falar (Confira a Dica de Segunda sobre o assunto). Sobre a autora, você pode conhecer um pouco mais na entrevista.                                         Bianca 2

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Fernanda Nia foi a primeira pessoa que entrevistei para o Armazém e só isso já seria suficiente para guardar uma relação de afeto com o seu trabalho, mas o “Como eu realmente” é tão divertido e familiar que essa relação se renova a cada tira. As situações vividas por Niazinha, fazem parte daquele arsenal de “auto vergonha alheia” (será que isso faz sentido?) onde você pensa mais vez “é sério que mais gente também pensa assim?!). É fácil perceber que o lado mis esquisito da imaginação, não é um passeio apenas da Fernanda, ma uma visita que fazemos todos os dias.

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O que Carol Rossetti faz, talvez não seja necessariamente quadrinho, mas jamais fecharia essa lista sem falar de seu trabalho. Além da beleza inquestionável da arte de Carol, por meio do projeto “Mulheres” (que se tornou livro recentemente), a artista trabalha o feminismo interseccional, isso é, dialogando com causas variadas que revelam opressões vividas por mulheres todos os dia. Em tempos de luta pelo empoderamento feminino, é material indispensável. Conheça sua página no Facebook e leia a entrevista que fizemos com a artista.

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