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Tem na minha estante: Lições (Lu e Vitor Cafaggi)

A

* Por Meiri Farias

SPOILER ALERTS

Lançada em setembro, a GraphicMSP Lições dá continuidade ao trabalho caprichado que os irmãos Cafaggi apresentaram em Laços (2013). Vitor e Lu novamente conseguem preencher páginas com doçura e nostalgia, o que muda agora é que nossos “heróis” são crianças “crescidas”. Mônica, Cascão, Magali e Cebolinha já estão no primeiro ano da escolinha e precisam lidar com grandes responsabilidades, como decidir como agir ao esquecer de fazer a lição de casa.

B

Se em laços sentimos a adrenalina da busca por Floquinho e vemos a união da turminha, Lições é mais melancólico. Seus erros tem consequências e vemos os amigos separados a maior parte do tempo. Essa situação apresenta possibilidades diferentes para cada um, e é impossível não acompanhar esse amadurecimento forçado com certo sofrimento.

Confira também a resenha de Laços

Costumo dizer que toda a forma de arte que contemplo e (ou) interajo, precisa me transformar de alguma forma. Seja pela identificação ou pela ruptura, a arte precisa me movimentar. Em Lições senti as duas coisas. Como uma criança que mudou de escola diversas vezes (e que tinha uma personalidade inconstante como a da gorduchinha), foi fácil entender a tristeza da líder da turma. Mônica sente-se solitária e os amigos fazem falta.

C

A dificuldade dos demais não perdem para a tristeza da dona da rua e cada um precisa lidar com seu drama particular: Cebolinha e a dislalia; Cascão e o medo de água; e a Magali aprendendo a ser uma “princesa” em um curso de etiqueta – e precisando refrear até mesmo a fome! Tudo isso com as expectativas na peça da escola (a galerinha do Limoeiro interpreta Romeu e Julieta) como plano de fundo. Lições tem tudo que o início da escola tem de pesado e depois de crescer nos esquecemos. É fácil depois de adultos (cof cof) relembrar apenas o lado doce da infância, mas os irmãos Cafaggi usam essa doçura para mostrar que nossa dor de criança também pode ser a maior do mundo. E isso não pode ser subestimado.

D E F

A  arte é mais uma vez – e até mais – deslumbrante que em Laços. O segundo livro dá mais espaço para o traço delicadoa de Lu, que aparece em meio aos flashbacks e no desenho que Mônica faz dos amiguinhos. Já a leitura que faço do trabalho do Vitor é bem diferente da época de Laços, já que agora já tive contato com outros trabalhos do Gquadrinista como Punny Parker e Valente e é impossível não compreender a linguagem a partir dessas referências.

Vale chamar atenção para a forma menos linear que a história é contada, os flashbacks tem papel interessante aqui. A diagramação também resulta em surpresas especiais e é impossível não achar a página 21 (reproduzida aqui  na foto da contracapa) deslumbrante. As cores de Lições, que contam com a colaboração de Paula Markiewicz, enganam se compararmos com Laços, com suas páginas mais escuras. Lições é solar, mas a tristeza é sombria. É a dificuldade natural, mas nem por isso menos dolorosa, de encarar o crescimento e afastamento daquilo que nos faz feliz. O final é sugestivo e me faz acreditar – torcer – para que a história não acabe por aí. Porque nós também já estamos com saudade de ver a turminha pelos olhos dos Cafaggi. E ansiosos pelo sábado.

Lu 2

** As imagens utilizadas na resenha (com exceção das duas últimas) foram retiradas das previews que Sidney Gusman divulgou antes da publicação do livro. Elas não estão na ordem em que aparecem na história.

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