Música / Questão de Opinião

Desanuviar: “Quem floresce em campo árido / não sabe a força que tem”

*Por Meiri Farias

Foto: Marina Decourt

Foto: Marina Decourt

Entrevistei a Desa duas vezes esse ano. A primeira para o Armazém mesmo, em uma conversa juntamente com Arthur Krokovec, do Gincobilando, momento cheio de encontro interno e externo. Nesse dia entendi que a música de Desa é arte que flutua acima da obrigação. É trabalho? é. Mas muito além disso, e expressão que transborda de tanto estar impregnada no seu ‘ser’. O seu existir é moldado por uma arte que vem da espontaneidade e que basta no fazer, não necessariamente distribuir, mas sempre partilhar. A segunda entrevista surgiu em um contexto tão especial quanto, quem acompanhou os dilemas do fim da minha faculdade, sabe bem a importância e o poder transformador que o TCC teve em minha vida. Filha de alagoanos e nordestina por adoção, produzi uma revista sobre a influência da cultura nordestina na cidade de São Paulo em parceria com a amiga querida Camila Lopes, do blog Elos Culturais. A escolha da Desa como uma das personagens da matéria de capa da Revista Baião de Dois parecia obvia e surgiu por afinidade e ciência do quanto sua história e talento tem a ver como nossa visão da cultura e do mundo como um todo.

Foto publicada na matéria da Revista Baião de Dois

Foto publicada na matéria da Revista Baião de Dois

A singularidade de Desa, vem no sotaque alagoano que me é tão caro desde o berço, mas principalmente na forma que o carrega como afirmação e quase resistência em frente as pequenas grandes desilusões da selva de pedras que é cercada hoje, morando em São Paulo. Desa, que é natural de uma cidade do interior chamada Feira Grande, mas adotou Maceió de onde saiu em 2012, nunca deixou que a capital alagoana saísse de dentro de si. Essa é a sua singularidade, isso a torna única.

Durante a segunda entrevista, quando contava sobre a transição para SP, Desa citou um trecho que viria a fazer parte de uma música do CD: “Quem floresce em campo árido não sabe a força que tem”. O que já era familiar, chegou até nós em “Movimento”, uma das 11 faixas que compõe “Desanuviar”, seu primeiro disco lançado em setembro, mas já tão presente na expressão da artista e vice e versa. Por isso, essa resenha está tão as avessas. Não é somente um perfil da Desa, até porque já publicamos um com mais detalhes o inicio do ano. Mas também é, porque falar de “Desanuviar” é falar da Desa em movimento. Desa na Rua do Sol, Desa gata de rua ou feixe de luz e a acima de tudo, é pura beleza. É algo que é novo o familiar. Como o sotaque de Alagoas.

Mergulhe e desanuvie.

Ouça”Desanuviar” na íntegra:

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Desanuviar | 2015 – Download

Para efeito de esclarecimento prático, o disco tem produção de Marcelo Sanches e foi financiado coletivamente em campanha que aconteceu no início do ano. A capa e fotos são de Marina Decourt em um timing perfeito que transmitiu de forma certeira o que é o trabalho da moça.

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