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CCXP: Evento de cultura pop no país do carnaval

selo CCXP

Cobertura completa #ACnaCCXP:

CCXP: Entre a grama do vizinho e um jardim a ser regado | CCXP: Califórnia – Reflexos, pequenas explosões e fogos de artifícios no filme de Marina Person | CCXP: Quem disse o que? | Artists’ Alley da CCXP: Aqui é o lugar do artista


*Por Meiri Farias

O Armazém de Cultura marcou presença nos dois primeiros dias da CCXP – Comic Con Experience, que em 2015 cresceu em espaço físico e capital social. O evento que espera reunir até domingo mais 120 mil visitantes, já se consolidou no calendário nerd da cidade e como fator de impulso para a cultura pop no país e na América Latina.

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A partir da ideia de que a cultura pop abrange muito mais do que grupos segmentados, a CCXP vem com a missão de fazer um “evento de cultura pop no país do carnaval” e trabalhar as características já consagrada desse formato de convenção com elementos da cultura nacional. Trazendo assim, um “DNA mestiço” para atender as exigências e demandas do nosso mercado. Embora o público brasileiro – e inclusive a própria CCXP – seja muito influenciado pela indústria de consumo norte-americana, é impossível não levar em conta as implicações de se realizar um evento com tamanha ambição (“Fomentar o mercado de entretenimento e cultura pop nacional”, mantra repetido pelo organizadores) em um país como o nosso, onde o conceito de “popular” é tão abrangente e extenso quanto nossa porcentagem no mapa.

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Com evoluções naturais, o dobro de estandes e mais credibilidade junto ao mercado e o público, o evento traz um leque variado de atrações e entrega mais acertos do que erros. Durante os próximos dias, apresentaremos a Comic Con pela lente do Armazém de Cultura: valorizando nossos principais fundamentos que se baseiam em apresentar a produção nacional de forma criativa – sempre primando pelo autoral e independente, focamos nossa cobertura no “lado B” da CCXP. Só visitamos o auditório Cinemark, principal da feira, na coletiva de imprensa com os organizadores e nos dedicamos a explorar a ala do artistas – majoritariamente brasileiros e independentes – e o dois auditórios alternativos: Prime e Ultra, que receberam a programação mais criativa a interessante do evento. Hoje vocês encontram um apanhado geral desses painéis e a partir de segunda-feira (7), comentaremos detalhadamente os pontos mais importantes da nossa visita a começar por destrinchar a estrutura geral e o modelo de negócio da Comic Con Experience.

Confira nossa galeria de fotos completa!

Cinema nacional. Ou quase

Diferente das reações eufóricas que vazam do auditório principal, os painéis de cinema do Prime proporcionam mais reflexão e discussão crítica sobre a produção nacional. Marina Person (“Person”) conduziu uma conversa sobre Califórnia, seu primeiro filme de ficção que entrou em cartaz na última quinta (3).

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A dificuldade de entrar nos grandes circuitos de distribuição para exibição, puxou o papo onde Marina revelou a necessidade de adaptação do roteiro para viabilizar o filme. A diretora explicou sua obra, destacando influencias oitentistas, período onde o longa é ambientado, e dissertou sobre o “olhar em primeira pessoa” que Califórnia carrega. Não como um autorretrato, mas como um retrato a partir de si, onde Marina apresenta elementos do período onde foi adolescente aproximando e questionando as suposta “diferenças” que tem com o nosso cotidiano hiperconectado. “Não é autobiográfico, mas tem elementos autobiográficos”, diz.

Cinema também foi o tema do painel seguinte, que teve como convidado Pedro Morelli (“Entre Nós”) comentando seu novo filme, Zoom. O longa, que tem lançamento previsto para março de 2016, faz uma experiência metalinguística reunindo animação e live-action.

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Técnicas de arte e os desafios de fazer uma narrativa com convergência de mídia estão entre o temas que foram discutidos. Pedro priorizou o processo de consolidação da parte em animação (¹/³ de Zoom), para explicar o filme que é uma cooprodução Brasil-Canadá e com elenco que conta com Gael García Bernal, Mariana Ximenes e Alison Pill.

Não me representa então não tenho porque consumir, Kelly Cristina do Minas Nerds

Representatividade – de gênero e étnica – foi tema de dois painéis nos primeiros dias de CCXP. Quadrinistas e produtores de conteúdo comentaram a falta de referências e espaços de identificação para pessoas politicamente minorizadas e alguns bons exemplos ofertados pela novas produções no universo da cultura pop.

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“Imagina você crescer e nenhum herói parecer com você?”, reflete Kelly Cristina do coletivo Minas Nerds. A necessidade de trabalhar a educação das crianças em prol da representatividade foi destacada por todos os convidados do painel. E a cultura nerd, com seus heróis, acaba cumprindo a função de gerar modelos e referência que muitas vezes  desempenham um papel que reforça estereótipos destrutivos. Em breve publicaremos uma matérias mais detalhada sobre o assunto.

Mauricio 80

O mestre do quadrinho nacional foi homenageado por centenas de fãs, entre eles diversos jovens quadrinistas que ocuparam as fileiras do auditório Ultra. Mauricio de Sousa recebeu até um coro eufórico de “Parabéns” incentivado por Sidney Gusman, responsável pelo planejamento editorial da MSP.

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O painel que foi marcado por emoção dos fãs e do artista, foi pontuado por anúncio dos próximos lançamentos e recordação dos projetos desenvolvidos em homenagem ao aniversário de 80 anos de Mauricio. O momento mais marcante do encontro foi o anúncio de que a GraphicMSP “Turma da Mônica – Laços” será adaptada e se tornará um filme em live-action, resultado de uma parceria da MSP com o Quintal Digital. Os irmãos Vitor e Lu Cafaggi, autores da Graphic se juntaram ao Mauricio e comentaram suas expectativas para o desenvolvimento do projeto.

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As pessoas estão com mais coragem para produzir, comenta Rebeca Prado

Se quadrinho é a prioridade máxima do Armazém na CCXP, seria impossível ignorar o crescimento da Artists’Alley em 2015. O espaço que contou com mai de 200 artistas, não cresceu apenas em extensão, mas também em público e movimento.

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Com uma pauta especial sobre esse tema, conversamos com diversos quadrinistas e a mudança na percepção do público tem ajudado a impulsionar a criação. “As pessoas estão com mais coragem para produzir”, comenta a artistas mineira Rebeca Prado. Já Felipe Nunes enfatiza que estamos ainda estamos dentro de um processo “Eu não acho que existe um mercado, eu acho que existe uma produção de quadrinhos” explica.

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As andanças por esse terreno fascinante dentro da CCXP rendeu uma matérias super especial. Vale aguardar para ler, em breve!

Para conferir um pouco mais da nossa participação na CCXP, confira nossa galeria de fotos e as postagens nas redes sociais com a #ACnaCCXP: Facebook | Twitter | Instagram

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