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CCXP: Entre a grama do vizinho e um jardim a ser regado

selo CCXP

*Por Meiri Farias

A Comic Con Experience de 2015 trouxe nas costas uma carga dúbia: a expectativa. Diferente de 2014, onde tudo era novidade para todos, a edição desse ano veio com reflexos da experiência passada e ideias pré-concebidas do que devíamos esperar. Paralelamente, o Armazém chega com um olhar mais amadurecido e objetivos definido: nacional, autoral e priorizando o independente. Criamos dois eixos de cobertura, um simultâneo a partir das redes sociais (Facebook | Twitter | Instagram), onde você ainda pode conferir tanto as informações mais importantes que publicamos entre quinta e sexta e também o que vamos divulgando aos poucos durante os próximos dias. Por outro lado, nossa vocação não está fundamentada no hard  news, noticiário corrido, o Armazém sempre trabalhou com contextos mais profundos que buscam entender além da superfície. Sendo assim, o material que dialoga com a nossa cobertura não para por aqui: ainda essa semana Beatriz Farias apresenta uma matéria especial de cinema e na próxima semana teremos duas matéria focados em quadrinho e representatividade – de gênero e étnica – na cultura pop.

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Cartaz oficial da CCXP 2015, arte de Frank Miller causou polêmica

A programação oficial – que novamente só saiu na semana que antecede o evento, nos 45 do segundo tempo – dividiu nosso coração nerd em milhares de pedacinhos, mas optamos por seguir nossa identidade editorial com fidelidade. Todos os painéis da qual participamos, tiveram como foco o conteúdo brasileiro. Por fazer essa escolha (e abrir mão dos painéis da Fox e Netflix com o coraçãozinho estilhaçado), foi fácil perceber o caminho a CCXP ainda precisa percorrer no que toca a programação nacional. Não entenda errado, as atividades oferecidas pelos dois auditórios alternativos, Ultra e Prime, foram interessantíssimas e o crescimento da área dedicada ao contato direto com artistas autorais, Artists’ Alley, é sem dúvida alguma o que há de melhor na Comic. O problema é que a organização do evento talvez ainda não tenha notado isso. Embora o discurso reproduzido na coletiva de imprensa reintere a necessidade de adaptar o “formato Comic” para o país do Carnaval, a sensação que dá é que precisamos “mostrar” para o mercado externo a proporção que o evento ganhou aqui, para assim trazer cada vez mais gente de “fora”. Apresentar o mainstream da cultura pop não seria um problema se o nacional ganhasse a mesma atenção. Isso apenas valoriza e impulsiona o nosso mercado, não só para “fora”, mas principalmente para quem passa correndo para garantir seu lugar na fila do auditório Cinemark e ignora o material fantástico produzido pelos nossos artistas. O exemplo mais claro desse problema é colocar o painel que comemora os 80 anos de Mauricio de Sousa, artista seminal do quadrinho brasileiro que dispensa qualquer apresentação, em um auditório com capacidade para apenas 400 pessoas. Isso porque o Mauricio já é um artista consagrado e deixou uma fila imensa para fora. Mas e os artistas que ainda não tem esse alcance, como serão “impulsionados” se o seu trabalho não ganhar as honras de um auditório de luxo?

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Auditório Cinemark durante a coletiva de imprensa

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Auditório Prime foi a novidade da edição, com conteúdo nacional e capacidade para 200 pessoas

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Auditório Ultra ampliou a capacidade para 400 pessoas na segunda edição da CCXP

Claro que essa é uma crítica pontual a essa nossa mania de olhar a grama do vizinho com mais cobiça e esquecer de regar o jardim de casa. O produto nacional persiste e espalha com delicadeza os seus ramos se fincando e afirmando de uma forma ou de outra. A Artists’ Alley cresceu e mais de 200 artista puderam expor seus trabalhos, vender, apresentar e conversar com o público. Foi bacana perceber que mesmo que a fila do auditório principal de voltas quilométricas, talentos do quadrinho nacional como os irmãos Vitor e Lu Cafaggi ou Fábio Moon e Gabriel Bá também tem suas pequenas aglomerações. A CCXP é um evento divertidíssimo e deixa qualquer nerd de queixo caído com seus estandes imponentes, o dobro de expositores do último ano que ocuparam 55 mil m² do pavilhão da São Paulo Expo. Entre estúdios e lojas, é possível ter uma imersão no universo da cultura pop e se divertir bastante ao cruzar com seus personagens favoritos pelos corredores. Os cosplayers realmente abrilhantam a festa. Mas vamos aos apontamentos práticos:

Pontos Negativos:

– Embora com muita variedade (proporcionada em boa medida pelas barraquinhas de Food Truck), a comida é sempre cara. Dica para a próxima: leve o seu lanchinho e fuja das filas.

– É ótimo que o evento ofereça mais estandes, mas isso diminui também o espaço para circular. Diferente de 2014, onde pudemos passar diversas vezes e ver cada detalhe dos expositores, esse ano mal era possível dar uma volta completa. Caótico.

– Ok, a política de não esvaziar os auditórios é um modelo consolidado nas Comic-Cons de vários lugares do mundo. Mas é justo? Me parece bastante cruel alguém pagar caro para passar o dia em uma fila. E não conseguir entrar.

CCXP: Evento de Cultura pop no país do Carnaval 

-Pagar caro, eis o ponto. Obviamente um evento com tal estrutura demanda um ingresso mais caro do que outros similares, mas R$120 em uma meia entrada? Levando em conta que uma parcela significativa do público é composta por jovens, a quantia é fora da realidade. E mais: quem entra vai consumir, na maioria das vezes, muito. Mesmo no atual cenário econômico, será que não é possível fechar essa conta de forma mais realista?

 

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– O que nos leva a outro ponto: muito se falou de representatividade nessa CCXP e isso é fabuloso! É urgente discutir a visibilidade das meninas no quadrinho, representações de gênero e etnia na cultura pop e buscar combater qualquer forma de intolerância. Mas estamos todos representados ou a cultura pop acaba por criar um nicho privilegiado? porque é necessário refletir para onde levamos a produção de entretenimento e volto a reinterar que o valor dos ingressos definitivamente não funciona como fator de inclusão.

– Mais uma vez a balança do nacional x internacional pende de forma desproporcional. Destacar os nossos artistas e coloca-los no mesmo patamar de visibilidade é valorizar a cultura nacional, e não só isso. Certamente funcionaria como uma injeção nesse mercado que beneficiaria a todos.

Pontos Positivos:

– O aplicativo oficial da CCXP foi eficiente e divertido. Com a possibilidade de checar programação, criar uma agenda de interesses e acompanhar as notícias, o app fez com que a ‘experience’ começasse dias antes da largada oficial do evento. Durante o evento era possível receber informações sobre alterações na programações, lembretes e afins.

-O transporte também melhorou muito! as vans que faziam o trajeto entre o pavilhão e o metrô Jabaquara foram substituídas por ônibus, o que diminuiu o tempo de espera. Mesmo com muita gente, as filas não ficavam paradas.

-Nossa experiência no auditório principal foi pequena, já que só passamos por lá durante a coletiva, mas é perceptível a qualidade que o patrocínio do Cinemark agregou. Além de um visual mais bonito e moderno, qualidade no som e 2350 lugares para receber as filas sempre enlouquecidas.

Confira nossa galeria de fotos completa!

-Mesmo com os problemas que citamos em relação ao espaço ainda pequeno para a programação nacional, vale destacar a programação de primeira recebida pelo auditório Prime. Novo na CCXP e com capacidade para apenas 200 pessoas, o Prime trouxe painéis interessantíssimo e propícios ao debate e discussão. Junto ao nosso já tão querido Ultra, trouxe os melhores painéis da convenção.

-Master Classes é um projeto bem sucedido em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e o Spcine. Infelizmente só acompanhamos uma durante essa edição, aula sobre Narrativa com Ivan Reis, mas é uma iniciativa interessantíssima que reúne formação e, por que não, entretenimento da mais alta qualidade.

-Artists’ Alley. Artists’ Alley. Artists’ Alley. Artists’ Alley. Artists’ Alley. Esse ponto é tão importante que ganhará uma matéria inteira focada nele.

No balanço, sempre podemos apontar ideias e caminhos que contribuiriam para que o evento fosse mais democrático e proveitoso para todos, mas obviamente a segunda edição da CCXP trouxe fôlego e respondeu incertezas deixadas na estreia. Em 2016 o evento acontece entre 1º e 4 de dezembro, mas por aqui a CCXP 2015 ainda renderá muito conteúdo interessante! Continue acompanhando pelo blog e por nossas redes sociais.

Em breve texto sobre Cinema!

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