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Questão de Opinião: Chico, Artista Brasileiro

São

*Por Meiri Farias

A canção Paratodos foi lançada junto com o álbum homônimo em 1993, ano de natividade da pessoa que vos fala. Mas Chico Buarque nasceu definitivamente par mim em 2013 enquanto ao andar por uma livraria, comprei um livro pelo impulso da capa bonita. Era Leite Derramado que acabou se tornando um dos (provavelmente o) melhores livros que já li. Foi a partir desse momento que todas as faces do grande artista brasileiro, que até então era mais um nome do que uma obra, entrou definitivamente na minha vida.

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O filme “Chico, artista Brasileiro” de Miguel Faria Jr. traz esses dois pedaços com bastante ênfase, se por um lado o filme começa e termina com música (Sinhá e Paratodos respectivamente), por outro a literatura está onipresente seja pelos relatos ou pela leitura já carregada de nostalgia de trechos do último livro de Chico (Irmão Alemão) por Marília Pêra. A estrutura do filme se juntou alguns depoimentos de nomes como Edu Lobo e Miúcha, gravações antigas com Tom Jobim e Vinicius de Moraes falando de Chico, artistas interpretando canções do autor, como Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Adriana Calcanhoto, Martnália, Mônica Salmaso. Vídeos antigos e principalmente Chico em primeira pessoa, como não estamos acostumados a ver com frequência.

É preciso destacar que o filme é engraçadíssimo. Chico ri muito de si mesmo e observar esse seu lado mais leve   e espontâneo é uma experiencia inusitada. Passando por assuntos que vão de relações familiares à ativismo político, o artista reflete sua carreira de uma forma que nunca vimos. É um documentário bastante reverente, claro. A escolha do diretor é apresentar o artista de forma quase autobiográfica e não de fazer uma reconstrução precisamente jornalística, ainda assim e mesmo que o expectador não seja necessariamente fã de Chico Buarque, é um filme realmente relevante para compreender todo um período da música popular brasileira. O artista reflete de forma mais profunda sobre seus processos de trabalho – na música ou na literatura – e como questões como a solidão fazem parte de forma positiva desse contexto. O clima na sala era um misto de cinema e espera de um show. Algumas pessoas cantarolavam baixinho e outras arriscavam um animado “adoro essa música”. Já a senhora sentada do meu lado se empolgava com cada aparição do Chico mais jovem “tão tão bonito”. Mesmo em uma terça-feira a tarde com garoa bem paulistana, a sessão estava lotada e com uma perceptível variedade de público. Os mais velhos e os mais jovens demonstravam a mesma afinidade com a obra do artista.

chico_reproducaoÉ curioso ver esse filme um dia depois de ganhar de presente o CD/DVD Carioca (2006), que traz o minidoc Desconstrução, uma espécie de making of das gravações do CD no estúdio (um adendo curioso: a amiga que me trouxe o CD, ano anterior me presenteou com O Irmão Alemão. É Chico hoje, Chico amanhã, Chico sempre). Se artista me conquistou primeiro pela literatura, não tardou para que eu mergulhasse sem retorno em sua música. Das canções clássicas ao seu último lançamento em 2011, o cancioneiro da ídolo que marcou gerações, marcou e modificou a forma que passei a ouvir tudo que já foi produzido no país e, como de uma forma ou de outra, sua influência se perpetua na produção atual.

Confira o trailer:

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