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Nós Mulheres da Periferia: Feminismo a favor da informação

não existe amor em SP

*Por Meiri Farias

Em uma cidade de múltiplas faces como São Paulo, a necessidade de se fazer ouvir é constante. A periferia, tantas vezes negligenciada pelo poder público, encontra nas novas mídias eco para ressoar suas reivindicações como no coletivo Nós mulheres da Periferia, formado por oito jornalistas e uma designer apresenta suas pautas na rede e fora dela. Com a proposta de reduzir a falta de representatividade, as meninas buscam afirmar seu protagonismos e construir um espaço de informação que atinja não somente a questão de gênero, mas também o campo social e étnico, contemplando as questões especificas das mulheres, sobretudo as negras e da periferia.

Fonte especial Sp (2)

 

 

Armazém de Cultura: O que é mais difícil para a mulher na periferia?

Lívia Lima: As dificuldades da mulher já são muitas e das mulheres da periferia mais ainda. Convivemos com ausência de direitos e serviços básicos, somos destinadas a trabalhos prearizados em regiões muito distantes das nossas, enfrentamos horas no transporte público diariamente. As dificuldades são muitas porque também somos muito diversas e temos cada uma nossas particularidades.

logo_nos_mulheres-da-periferia-marcaAC:Vocês têm desenvolvido algumas ações como a exposição QUEM SOMOS [POR NÓS] que aconteceu no fim de 2015. Como funciona esses projetos? Como outras mulheres podem colaborar e participar do movimento?
Lívia: Esse projeto partiu do nosso desejo de estar mais em contato com as mulheres da periferia que eram temas das pautas dos nossos textos. Queríamos conhecê-las e queríamos que elas nos conhecessem. Foi uma troca maravilhosa e o fruto das oficinas que desenvolvemos ao longo do ano foi a exposição no CCJ em novembro.
Para este ano ainda estamos planejando nossas futuras ações, mas toda pessoa que quiser colaborar é sempre bem vinda! Basta entrar em contato com a gente por email ou facebook.

AC: Na página a descrição da proposta “construir um espaço com informações que extrapolem a questão de gênero, atinja o campo social e étnico (…)” apresenta essa necessidade de dialogar com outras pautas que atingem as mulheres, além do feminismo propriamente. Poderia comentar um pouco sobre esse ponto? como o projeto de vocês possibilita essa interseccionalidade?
Lívia: Acreditamos que nem sempre o feminismo clássico contemplou questões especificas das mulhereres, sobretudo as negras e as mulheres da periferia, por isso sempre nos baseamos a partir de três pilares: a questão de gênero, de classe e de raça, se esforçando em compreender de que forma a mulher é oprimida nessas questões.

AC: A internet tem se mostrado um espaço importante para a discussão das lutas e conquistas das mulheres. Por outro lado, ainda vemos muita reprodução de ideias machistas em comentários pela rede. Como podemos ajudar a transformar o a internet em um espaço seguro e empoderador para as meninas?
Lívia: Apesar das críticas e comentários negativos, de pessoas covardes que se aproveitam da suposta impunidade que a internet permite, acreditamos que ela é um espaço que democratiza a informação e possibilita que mais pessoas consigam se expressar, denunciar suas questões e permite mais espaço para a pluralidade e para diversas vozes, além de servir como uma importante fonte de informação e pesquisa para ampliar o repertório das meninas, coisa que na minha geração, por exemplo, não tínhamos. Quanto mais informação, melhor.

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AC:Não apenas no universo do feminismo, mas em uma perspectiva geral, você enxerga um movimento de “apropriação” por parte das pessoas que moram em região periféricas em relação ao seu território? Como a periferia está vendo a periferia?
Lívia: Com certeza, nós moradores da periferia estamos cada vez mais integrados com nosso espaço e há um movimento muito grande e forte de auto estima, de mobilização para melhorias e cobrança dos nossos direitos. Entendemos que não temos que mudar dos nossos territórios, a cidade é que precisa entender que a periferia faz parte dela e que merece tudo o que ela pode oferecer, de forma igualitária!

AC: Para o dia 25, que presente você gostaria de poder dar para São Paulo?
Lívia: Nesse aniversário de São Paulo a cidade precisa de mais liberdade para aqueles que querem transforma-la em um lugar justo e digno para todos. Que  todos possam se manifestar sem ser reprimidos e que as causas que reivindicam sejam analisadas e consideradas pelo poder público.

 

 

 

 

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