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Sabryna Mendes: Literatura com aroma de café

Abre Aspas*Por Meiri Farias

Até os vinte anos não tomava café. O aroma me era agradável e convidativo, mas amargor não despertava simpatia. Esse antagonismo começou a mudar há cerca de dois anos em uma reunião de trabalho que começou muito antes da minha mente acordar: por acaso do destino deixaram a garrafa de café bem na minha frente. No impulso de quem pede coragem para encarar um dia inteiro, peguei um daqueles copinhos pequenos e descartáveis e despejei o líquido quente. Sem o hábito de consumir a bebida, exagerei no açúcar e tive que tomar um café horrivelmente doce e quente que desceu rasgando minha garganta. A experiência não foi exatamente agradável, mas o resultado correspondeu as expectativas. Desde então, o café se tornou coadjuvante de todas minhas necessidades. Preciso ficar mais alerta? café. Preciso de mais concentração? O dia foi horrível e preciso relaxar? pode encher a xícara.

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Em Cafés Amargos, a bebida companheira também é coadjuvante da história. O livro chegou como presente lá do Maranhão, da querida amiga, jornalista e escritora Talita Guimarães, com a promessa de apresentar uma jovem escritora conterrânea que tinha escrito uma história muito especial. Sabryna Mendes nos contas sobre Tomás, um escritor que não soube lidar com o sucesso e leva a vida sem grande expectativa, a base de café amargo. Esse marasmo se transforma em tsunami quando o personagem conhece Marina, uma garota que fala muito e chega bagunçando sua mundo de uma forma linda. Tomás volta a sentir os sabores da vida enquanto tem que lidar com o medo de seguir em frente.

O que mais chamou atenção na primeira leitura, que aconteceu entre trajetos de metrô e ônibus, foi a capacidade de evocar sensações além do que se lê. A comida, o café, a música, personagens silenciosos que nos conduzem pela história de forma muito mais sensorial. É interessante lembrar que durante a leitura, além do livro de Sabryna, estava descobrindo o CD de uma artista que se tornou constante no meu fone de ouvido, Leo Middea – que entrevistamos no Armazém no fim do ano passado – cantava uma narrativa diferente, mas a coincidência da duas situações, cravou um lugar especial na memória afetiva. Até porque, conhecer Tomás enquanto Leo canta “cuidado que a vida vem aí”, na canção Mochileiro, faz mais sentido que a razão possa explicar. Sem mais spoilers conheça um pouco mais sobre Sabryna Mendes!

Armazém de Cultura: A publicação de “Cafés Amargos” foi por meio de um concurso, certo? como aconteceu?

Sabryna Mendes: Sim! Eu me inscrevi no 35º Concurso Literário Cidade de São Luís, na categoria romance. Me inscrevi sem achar de verdade que iria ganhar, fui mais por experiência mesmo. Foi o primeiro concurso que me inscrevi, e, por uma felicidade, acabei ganhando.

AC:O livro começa de uma forma muito interessante, apresentando de um lado o presente não muito animador de Tomás, por outro os fatos que o levaram a chegar a esse ponto. Como surgiu a história e também a ideia de contá-la dessa forma?

Sabryna: A história surgiu de um conto escrito em sala de aula. Da atividade, surgiu um bom enredo e eu acabei usando a ideia do personagem pra expandir pra um romance. E quanto a questão da temporalidade, foi acontecendo normalmente, conforme eu ia escrevendo. Quis que fazer um comparativo, entre passado e presente, até o momento que a história caía em um ponto só, na atualidade. Pensei que isso pudesse dar uma dimensão maior pro leitor, e acabou sendo um dos pontos fortes da estrutura do livro.

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AC: Tomás e Marina são personagens e a história se desenvolve em torno desse encontro. Entretanto, durante a leitura percebemos como alguns elementos (como o próprio café do título, a comida, a música) acabam despertando sensações e ajudando a identificar a fase em que Tomás se encontra. O uso desses elementos foi proposital ou aconteceu naturalmente?

Sabryna: Nada foi muito proposital nessa história haha. A maioria das coisas foram surgindo naturalmente, seguindo seu curso natural. Era como se a história já existisse e só transcrevesse pro papel. Quis que as sensações fossem além da descrição psicológica do autor, mas que quem estivesse lendo pudesse imaginar os sabores, as vozes, o clima, etc.

AC: Algum escritor ou livro específico te inspirou o desejo de escrever?

Sabryna: Eu não lembro muito bem quando comecei a ler livros completos, só sei que era muito pequena. Então a minha referência para a escrita é o livro A droga da obediência, de Pedro Bandeira. Pelo o que me lembro, foi depois de ler essa obra que despertou em mim a vontade de escrever. E até hoje esse é um dos meus livros favoritos.

AC: Falando em inspiração e influências, gostaríamos de conhecer melhor a cena artística do Maranhão! que artistas locais – seja na literatura ou em outras linguagens como a música – são inspiradores e você indicaria para compreendermos o  seu estado?

Sabryna: O Maranhão tem ótimos escritores espalhados pelos estados. Tive o prazer de conhecer alguns pelos encontros literários por aí. Mas se for pra indicar um livro/escritora que descreve bem o Maranhão e um elemento da sua cultura, é o Vem Cá Curiar o Cacuriá, de Inara Rodrigues. Ela foi outra vencedora da mesma edição do Concurso Literário que eu participei e o livro dela conta um pouco da história do Cacuriá e de como essa manifestação artística influencia e caracteriza o Maranhão.

AC: Quais são seus planos? pretende lançar um próximo livro em breve?

Sabryna: Não tenho planos de lançar outro em breve, mas continuo escrevendo e participando de concursos. Quero produzir boas obras que possam ser premiadas também, e talvez isso demande tempo. Agora, no campo literário, estou concentrada em terminar os projetos inacabados que tenho no computador e postando no blog quartoandar.com.

Cafés Amagos

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