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Rogério Coelho: Liberdade dentro e fora do quadrinho

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

O traço de Rogério Coelho tem um “quê” de mundo dos sonhos. Essa é a primeira impressão que se tem ao abrir Louco – Fuga, sua versão do personagem de Maurício de Souza e o exemplar mais recente do projeto GraphicsMSP. Há algumas semanas, publicamos a resenha “Só o Louco sabe: O personagem mais insano da Turma da Mônica foge pelas páginas de Rogério Coelho”, falando da beleza e encantamento que encontramos na Graphic que, literalmente, desafiou os limites do quadrinho.

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Limitar não é bem o estilo de Rogério, que também trabalha como ilustrador e o traz no currículo ilustrações para revistas como Recreio e Ciência Hoje das Crianças, assim como literatura e livros didáticos. Em um dos seus projetos mais recentes, ultrapassou o limite da palavra e apresentou “O barco dos sonhos”, uma história contada em imagens, sem o auxílio das palavras. “Acho que tem mais a ver com ir encontrando a história durante o processo de criação, ela mesmo acaba dizendo do que precisa”, conta.

Confira mais sobre o trabalho encantador de Rogério Coelho!

Armazém de Cultura: Geralmente os artistas recebem o personagem e uma pauta para fazer a GraphicMSP, no seu caso você que enviou a proposta, certo? Como aconteceu?

3Rogério Coelho: Tinha algumas ideias para alguns personagens desde que colaborei no livro MSP Novos 50. Na ocasião escolhi fazer uma HQ do Horácio. Essas ideias com o Louco vem desde essa época. Quando surgiu o projeto das graphics perguntei pro Sidney Gusman se eles não estariam interessado em fazer algo com o Louco. Depois enviei o projeto e ele ficou esperando um tempo até ser oficializado. Depois da contratação do projeto tive que ajustar o roteiro até chegar no que consideravam ideal, isso também demorou um pouco.

AC: O Louco é um personagem muito interessante, até porque tudo pode acontecer em uma história dele! Como foi lidar com essa “liberdade” que o personagem possibilita?

Rogério: Lidar com isso foi fácil, na verdade nem pensava muito nisso. Eu tinha uma história pra contar , só pensei em usar os elementos que faziam sentido pra que eu contasse a história que imaginava. Da MSP recebi suporte e não tive problema nenhum em encaminhar minhas ideias. Acho que o valor e  respeito que eu dou ao personagem sempre estiveram no processo e isso era a base pra que as coisas caminhassem bem.

AC: Além dos quadrinhos, você também trabalha com ilustrações, inclusive para livros didáticos. O que é mais complexo, um trabalho isolado ou a arte sequencial? Partindo dessa ideia, é mais fácil trabalhar com suas próprias ideias ou receber uma pauta?

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Rogério: Faço os livros didáticos mas minha maior produção tem sido na literatura. Tanto no didático quanto no literário a narrativa está presente de alguma forma.

Na literatura ela é base para o meu trabalho, é algo faz parte de todo o processo criativo. Eu ilustro textos de autores diversos e também ilustro minhas próprias histórias. Quando ilustro textos de outros autores nunca recebo pauta, e se eu recebo educadamente devolvo. Tenho sorte de contar com editores que já conhecem meu trabalho e me deixam livre para interpretar e entregar o trabalho dentro da minha visão. Ilustrar livros é muito mais do que apenas desenhar, existe um conjunto de habilidades e competências, literárias, artísticas, que se juntam na produção de um trabalho. No caso do livro didático a pauta é quase obrigatória, faz parte do trabalho.

Em relação a complexidade, fazer uma HQ é um trabalho que exige mais, tanto na questão de horas trabalhadas quanto do desenvolvimento. Tem que pensar bem antes de se envolver com uma HQ.

Confira a resenha “Só o Louco sabe: O personagem mais insano da Turma da Mônica foge pelas páginas de Rogério Coelho”

AC: Seu filho Pedro Fernandes Coelho também já trabalha com ilustrações, certo? Como é vê-lo seguindo seus passos na arte? Já trabalharam ou pensam em trabalhar juntos?

Rogério: O Pedro é ilustrador da Folhinha, suplemento da Folha de São Paulo, toda semana ele faz a ilustração de uma coluna. Ele está fazendo isso desde outubro de 2014, ele tem 11 anos. Além disso ele já foi premiado duas vezes no Salãozinho de Humor de Piracicaba, em 2014 ficou em terceiro na categoria 7-10 anos e em 2015 ficou em primeiro na categoria 11-14 anos. Pra mim é tranquilo, é o que ele está fazendo agora, procuro deixar as coisas correrem soltas, sem planejar muito pra ele. Claro que fico muito feliz com tudo isso.

Trabalhamos juntos no livro “O dia de ver meu pai”, o texto fala de um menino que tem os pais separados, e dos encontros que ele tem com o pai nos finais de semana. Achamos que seria um bom momento para juntarmos nosso trabalho, mostrando os encontros de um pai e um filho também na produção das ilustrações. O texto, que é maravilhoso, é da Vivina de Assis Viana e o livro será lançado em breve pela Editora Lê.

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AC: Falando nisso, já tem planos para publicar um próximo trabalho?Rogério: Por enquanto estou me dedicando a ilustrar alguns livros com textos de outros autores. Já entreguei 3 que ainda não saíram e devo aprontar pelo menos mais dois nos próximos meses. Projetos de HQs eu  tinha algo mais planejado para 2016, mas as condições da economia colocaram em espera, no momento estou planejando e pensando numa forma de viabilizar as coisas.

1AC: Dentro do  universo do quadrinho e das ilustrações, que artistas você considera como referência para o seu trabalho? Algum livro foi marcante para sua descoberta enquanto artista?

Rogério: Tenho muitas influências, costumo citar o Dave Mckean e o Bill Sienkiewicz nas HQs. Na ilustração de livros o Shaun Tan, Rebecca Dautremer, Rui de Oliveira, Odilon Moraes, a lista é imensa.

AC: Em 2015 você também lançou o livro “O barco dos sonhos”, onde a história é contada apenas com imagens. Quais são as vantagens e desvantagens ao contar uma história sem o auxílio das palavras?

Rogério: Não penso em termos de vantagens ou desvantagens , sempre procuro pensar na forma melhor para contar a história. O “O barco dos sonhos” era algo que começou só em imagem e prosseguiu assim até o final, nunca achei que ele precisava de palavras. Acho que tem mais a ver com ir encontrando  a história durante o processo de criação, ela mesmo acaba dizendo do que precisa.

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