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Dica Especial: Mulheres (Carol Rossetti)

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*Por Beatriz Farias

Eu acredito num feminismo que integra, que une forças. Que entende a particularidade e dificuldades da luta e encontra o seu lugar de fala sem que este se aproprie indevidamente de um discurso. Mas esta que vos fala nem sempre deu importância para a discussão e, dessa forma, já reproduziu declaração opressiva  – que não esquece, para que nunca repita.

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Capa do livro “Mulheres”, Carol Rosseti

Mulheres” chegou-me em época de grande confusão emocional, onde ainda procurava o que era a desconstrução que necessitava. Como o que é nosso e ninguém tira agarrei esse exemplo de sororidade, onde entendi que o erro está no que a sociedade espera de mim e não do que de minha pessoa aceitei ser. E é assim que Carol Rossetti representa as mulheres, respeitando a cultura e beleza de cada pessoa e entendendo que o mais interessante do que é de cada um, é aquilo de diferente que resgatamos. Se a você soa irônico tal ideia ser tão revolucionária no que chamamos de era da revolução, o caminho está certo para perceber o quão errado está a nossa criação social, e aí o livro se torna mais importante ainda.

Relembre a entrevista que fizemos com a artista em 2014 – Carol Rossetti: Feminismo na ponta do lápis

Carol é formada em design gráfico e concilia o estúdio Café com Chocolate Design – criado por ela e amigos – com projetos autorais. Foi em 2014 que a mineira começou a desenhar mulheres diversas para testar seus lápis de cor e se propor a fazer um desenho por dia. O projeto ganhou força (alguns desenho são traduzidos em diversos idiomas), chegando a ser divulgado em diversos veículos internacionais.

Arte: Carol Rosseti

Separado em capítulos (como Corpo, Identidade, etc.) com pequenos textos introdutórios, o livro é uma compilação dos desenhos deste projeto. Com uma qualidade de desenho grandiosa, as cores aquecem a alma pela delicadeza e diferentes possibilidades de mostrar histórias encantadoras. A compreensão é fácil e daí vem sua riqueza: o preconceito é repensado quando o praticante entende o absurdo de seu pensamento. Quando somos cutucados a sair da nossa bolha de arrogância determinada em crer que já sabe de tudo e entendemos que unir vontades e compreender necessidades torna tão mais profunda a luta. A percepção de quem se é e busca por esse direito exige que confrontemos nossas questões o tempo todo.

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Ainda que deixando claro sua posição, o livro carrega em sua essência um quê de sutil: Carol não declara simplesmente, ela ilustra com graça sem necessariamente precisar estar falando do assunto, a igualdade é defendida pelo desejo de escolha: “não tenho uma resposta pronta para essas questões. Não sou a pessoa que vai ou não determinar o que é feminismo: eu tenho uma voz, ma não sou a voz do movimento” afirma a autora na introdução.

Porque o respeito se dá quando a gente não entende a dificuldade da outra, mas não a torna menor por isso, a qualidade de ter humanidade para além da condição de ser humano já nos caracterizada. O direito de se amar e lutar por sua dignidade. Lutar para ter voz, lutar para não ter medo, lutar para ser reconhecida como gente. Se tem um retrato que me representa é esse que Carol fez de mim que nem é exatamente o meu, mas me cabe. Contanto que este lugar não ofusque a luta de nenhuma mulher, tem espaço para todas.

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Orelha do livro com bio da Carol

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