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Recorte: No supermercado

Copy of Entrevistas

*Por Talita Guimarães

Created with Microsoft Fresh Paint

Arte: Talita Guimarães

Copy of Era como se a história já existisse e só transcrevesse pro papel. Quis que as sensações fossem além da descrição psicológica do autor, mas que quem estivesse lendo pudesse imaginar os sabores, as vozes, o clima, et

Sentei no chão do supermercado para olhar em volta. Estava à procura de informações sobre o que era estar ali. Não me interessava a vida lá fora, nem o antes ou depois. Pouco me importava quem eram aquelas pessoas. O que eu queria mesmo era ver como as pessoas eram enquanto caminhavam por aqueles corredores. O que traziam nas mãos, como se vestiam, com quem estavam? Qual olhar traziam? Que nível de atenção dedicavam ao seu entorno?

Por alguns minutos bebi gestos à cata de intenções. Investigava em silêncio o sentido daquilo tudo para cada um ali. Sentia-me observadora privilegiada da realidade, como alguém que se retira do fluxo para estar à parte de toda ação, totalmente absorta pelo ambiente, a atenção voltada para seus transeuntes, gestos e menções.

 

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*Nota da autora: O recorte de hoje soa inconcluso porque o é. Alguns recortes refletem momentos de busca e incertezas. ‘No supermercado’ é sobre a busca de sentido para as coisas mais banais e rotineiras, que fazem parte da nossa vida de forma quase inquestionável. Quando sentei no chão do supermercado perto de casa para observar a vida que pulsa naqueles corredores – sim, o fiz certa vez – queria recuperar o sentido de estar ali, de ser alguém ali. A ilustração mais abstrata também remete a esse sentimento de dúvida que embaça a visão da gente. Penso que precisamos desses recortes. Por isso ele está aqui

Talita Guimarães (1)

2 thoughts on “Recorte: No supermercado

  1. Seu texto lembrou-me das inúmeras vezes que me sentei no chão da rodoviária de Belo Horizonte (por falta de cadeira mesmo!) para esperar até o próximo ônibus – eles saíram de hora em hora. Nesses intermináveis momentos de espera eu criava na minha cabeça as histórias dos sapatos. Haviam sapatos que já lutaram em batalhas, que correram junto com o Forrest Gump, que participavam de bailes quase todas as noites, que não sabiam exatamente onde estavam de tão novinhos… As “histórias” dos sapatos me distraíam e me faziam sentir menos miserável pela espera de um mal elaborado transporte público.

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