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Recorte: Sinal Verde

Copy of Entrevistas

*Por Talita Guimarães

Réveillon de 2014 para 2015. Após assistir a queima de fogos no céu de Copacabana, caminho com alguns familiares pelas ruas do bairro carioca.

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Arte: Talita Guimarães

De braço dado com meu primo Ricardo caminho pelo meio da rua, entre tantos outros transeuntes que tomam as vias aproveitando que o trânsito foi fechado na região próxima à orla.

É então que eu e Ric observamos um sem fim de semáforos ao longo da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. E nos damos conta de que caminhamos em um passo ritmado que sempre alcança a faixa de pedestres no sinal verde. Por vários metros testamos com curiosidade nosso percurso brindado por sinais abertos. Felizes, saudamos a mensagem que nos vem: aquele 2015 que ainda nem vira a cor do sol haveria de nos reservar um caminho livre.

Lembro que à época desejei “haja o que houver, que assim seja”, ainda alheia a tudo o que aconteceria ao longo daquele que seria um ano de mudanças pessoais que demarcam um antes e depois na vida, com perdas irreparáveis, rupturas e novas direções.

Os sinais abertos das primeiras horas do ano antecipavam, sem que nos déssemos conta talvez, que o que vinha adiante era um tempo de bombardeio de acontecimentos. Não haveria pausa para pensar ou tempo para se recuperar. Seria tudo ao mesmo tempo agora. Vida sem freio por uma avenida larga cheia de obstáculos a serem desviados sem chance de desacelerar porque os sinais estavam abertos e não havia onde encostar; quem inadvertidamente parasse seria atropelado e arrastado pelo comboio vindo atrás.

Copy of Era como se a história já existisse e só transcrevesse pro papel. Quis que as sensações fossem além da descrição psicológica do autor, mas que quem estivesse lendo pudesse imaginar os sabores, as vozes, o clima, et

Na vida, é curioso notar como os sinais que nos são dados podem ser interpretados de vários modos. Somente com o ciclo de doze meses findado fora possível chegar ao fim da avenida concebida ao longo do ano finalmente alcançando alguma compreensão sobre pelo que se passou.

Não sou do tipo que crê ser necessário sofrer pra aprender, uma vez que sofrer não é lá algo desejável, embora admita a importância dos aprendizados que às vezes só o sofrimento ensina.

2015 abriu caminhos para que eu tocasse – não só simbolicamente – em uma matéria cara como a linha tênue entre a vida e a morte; abandonasse papéis sociais que já não serviam mais; enveredasse por novas atribuições profissionais. Tudo dentro das minhas possibilidades de romper com minhas próprias limitações, percebendo que na maioria das vezes os sinais vermelhos foram ligados pela gente mesmo.

No fim das contas, o ano de sinais abertos correu como deveria ser. Havendo o que houvesse, como desde o princípio desejei.


Talita Guimarães (1)

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