Abre Aspas / Música

Matheus Torreão e “A volta do Mecenas”

Abre Aspas*Por Meiri Farias

Carlos Mecenas viveu entre 68 – 8 a. C e foi conselheiro do imperador Augusto, ficando conhecido por patrocinar artistas da época, se tornando uma espécie de “patrono” das artes. Por esse motivo, a hábito de dar suporte financeiro a projetos artísticos ficou conhecido como “mecenato”. Essa prática foi bastante difundida durante o Renascimento, quando o surgimento da burguesia resultou em um momento de efervecência intelectual e cultural.

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A ideia do mecenato ganha ares contemporâneos em ferramentas como o crowdfunding, que tanto comentamos aqui no Armazém e formato que o Matheus Torreão pretende adotar para o financiamento de seu disco. O financiamento coletivo se dá por meio de ferramentas como Catarse e Partio, onde o artista cria um projeto com o orçamento necessário para viabilizar seu trabalho e o público contribui com o intuito de atingir a meta, tornando-se assim, uma versão moderna do mecenas renascentista.

O músico recifense relembra o “moço bom da renascença” em sua canção “A volta do mecenas”, que já tem clipe com participação da cantora Clarice Falcão (que gravou a música com arranjo diferente em seu disco mais recente, Problema Meu). O vídeo faz parte de um projeto em parceria com o cineasta Lucas Cunha, que também originou um registro para a canção “Roomamate is Away”.

Confira a entrevista completa com o Matheus!

Armazém de Cultura: Você está em processo de composição de seu primeiro disco solo, certo? o que pode adiantar para nós sobre esse novo projeto?

Matheus Torreão: O disco é uma parceria com o Exército de Bebês, banda que tem tocado comigo aqui no Rio. Cheguei neles através do amigo Guilherme Lirio, que conheci fazendo o Geleia do Rock. São músicos talentosos à beça, acompanham o Alberto Continentino, têm canções em parceria com Jorge Mautner. Então posso adiantar que, no que depender deles, vai ficar bom. Em relação ao repertório, pretendo regravar algumas coisas, mas priorizar as inéditas. Já temos dois singles em fase de finalização que devem ser lançados nos próximos meses.

AC: No fim de 2015, você divulgou o clipe da música “A volta do mecenas”, com participação da Clarice Falcão (que posteriormente gravou a canção em seu disco mais recente). Como foi esse registro? o clipe faz parte de um projeto maior, certo? conta um pouco sobre as outras canções escolhidas para a serie de clipes.

Matheus: Os clipes fazem parte de um projeto com meu amigo Lucas Cunha, que é cineasta. A ideia é fazer, com uma produção simples, e voz e violão ao vivo, vídeos direcionados para a internet. É uma forma prática e, creio eu, interessante, de apresentar as canções para as pessoas. Também fizemos vídeos caseiros, mas objetivo desse projeto é fazer algo entre um vídeo caseiro e um clipe, que seja despretensioso, mas que tenha uma ideia. Nessa linha gravamos também o My Roommate is Away, e devemos produzir mais ao longo desse ano.

Assista “A volta do Mecenas”:

 

AC: “A volta do mecenas” traz a tona a dificuldade que a maioria dos artistas encontram na viabilização de seus projetos. O que você pensa sobre meios de financiamento alternativos, como o crowdfunding, por exemplo, que de certa forma evoca a ideia de “mecenato”?

Matheus: Acho o crowdfunding um modelo bem interessante, e vou inclusive lançar um esse ano, para viabilizar a gravação do disco. Não sou exatamente alguém que vai chamar você de petralha por usar a Lei Rouanet, mas, em boa parte dos casos, acho mais interessante do que modelos que colocam a decisão do que deve ser financiado na mão de empresas e acabam destinando dinheiro público a quem não precisa.

Copy of Copy of Era como se a história já existisse e só transcrevesse pro papel. Quis que as sensações fossem além da descr

AC: Você fez parte do grupo Caravana do Delírio em que lançaram dois ep’s, certo? De lá pra cá o que mudou sonoramente no seu trabalho? E o que acredita ter trazido como bagagem dessa época de banda?

Matheus: Acho difícil responder. Poderia dizer que eu amadureci, mas não sei se isso procede. Na verdade, acho que a Caravana me fez descobrir uma imaturidade que eu gostaria de preservar.

AC: Ainda que com dificuldades de visibilidade, nota-se um esforço crescente em apresentar artistas brasileiros fora do eixo Rio-São Paulo. o que você indicaria de trabalho autoral que está sendo produzido em Recife?

Matheus: Estou esquecendo várias pessoas com certeza, mas de supetão gosto da Caapora e de Aninha Martins.

AC:Apesar de ser recifense você atualmente mora no Rio. Temos reparado com os artistas que entrevistamos o quanto a cidade afeta o olhar de cada pessoa para aquilo que realiza. Essa foi uma percepção sua? Como essa mudança tem se refletido na sua arte?

Matheus: Talvez eu esteja compondo menos no Rio, porque a paisagem distrai muito e meus amigos daqui são mais alcoólatras também.

Assista “Roomamate is Away”:

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