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Vanessa Moreno e Fi Maróstica: Gilberto Gil em Cores Vivas

Abre Aspas*Por Meiri Farias

O trabalho do duo Vanessa Moreno e Fi Maróstica é a prova que a beleza se esconde nos detalhes. Com “Cores Vivas”, segundo disco da dupla que presta uma homenagem a obra de Gilberto Gil, os artistas se encontram no inusitada formação de voz e baixo. Com suas melodias coloridas, Fi e Vanessa apresentam um repertório de arranjos influenciados por estilos musicais que vão do Jazz à música erudita, do pop à música regional. “Tanto eu como a Vanessa sempre fomos muito ligados à cultura regional do nosso país, que é de uma riqueza impressionante. Além disso, tudo o que nós escutamos e estudamos se agrega a um grande caldeirão de influencias que se encontra em constante modificação, e que reflete em cada trabalho que vamos desenvolver”, conta Fi.

VANESSA E FI

Crédito na Foto

Na entrevista abaixo, Fi e Vanessa também falam sobre o lançamento do disco no Auditório do Ibirapuera, que contou com participação de Fabiana Cozza e Mônica Salmaso, confira!

Armazém de Cultura: Como foi o encontro musical de vocês? Como essa parceria começou?

Nosso encontro musical aconteceu em junho de 2009 através de um quarteto (piano, baixo, bateria e voz) que montamos com o objetivo de começarmos um trabalho focado na canção brasileira.

A formação de baixo e voz aconteceu 1 ano depois e de uma maneira bem inusitada (risos). A Vanessa mandou uma composição dela com a Paula Mirhan para um festival da canção que acontece na cidade de Botucatu, chamado Botucanto.
A música passou nas eliminatórias e a próxima etapa era irmos até Botucatu para nos apresentarmos nesse festival, mas aconteceu que quando fomos entrar em contato com os músicos que tocavam com a gente, fomos surpreendidos com a impossibilidade de todos na data que aconteceria nossa apresentação.
A canção já tinha um arranjo e já estávamos ensaiados. Não teríamos a possibilidade de chamar outros músicos, pois não havia tempo para ensaios. Estava tudo bem em cima!
Aí veio a ideia da Vanessa de irmos de baixo e voz. Confesso que o reflexo foi dizer que não rolava (risos)! Mas resolvemos tentar e acabamos gostando.

No festival acabou sendo bem bacana e a receptividade das pessoas foi impressionante, o que nos deixou muito surpresos e felizes. Ganhamos também os prêmios de melhor intérprete (Vanessa) e melhor instrumentista (Fi).

Ouça “Se eu quiser falar com Deus”:

AC: Poderiam contar um pouco sobre como foi a produção do “Cores Vivas”? Como se deu a vontade de interpretar as músicas do Gilberto Gil e como foi a escolha do repertório?

A produção do disco foi bem divertida e proveitosa, pois aprendemos muito com todo o processo. O primeiro passo foi a escolha do repertório, o que não foi uma tarefa fácil, pois quem conhece um pouco mais sobre a obra do Gil sabe da grandiosidade e da qualidade dela. Gil é um compositor que transita com facilidade entre vários universos musicais. Acabamos escolhendo 11 faixas. Então eu (Fi) comecei a fazer a pré-produção, arranjando e definindo os caminhos musicais que seguiríamos neste segundo trabalho. Esse processo acabou levando mais ou menos 1 ano, pois fomos fazendo tudo com bastante calma e dividindo o nosso tempo com os outros trabalhos musicais que integramos.
Quando todos os arranjos e pré-gravações estavam prontos, aí sim fomos para estúdio para concretizar o novo disco.

Contamos com uma equipe que admiramos muito para essa gravação que foi realizada no estúdio “Da Pá Virada”. Foram eles: Swami Jr (produtor), Thiago Rabello (engenheiro de som), Wagner Barbosa (preparador vocal), Dani Gurgel (fotos, videos e arte gráfica), Ricardo Mosca (engenheiro de mixagem), André Dias (engenheiro de masterização).

 

Copy of Copy of Era como se a história já existisse e só transcrevesse pro papel. Quis que as sensações fossem além da descrição psicológica do autor, mas que quem estivesse lendo pudesse imaginar os sabores, as

AC: Recentemente, vocês lançaram o “Cores Vivas” no Auditório do Ibirapuera. Dada a diferença entre trabalhar no estúdio e compartilhar com as pessoas no mesmo ambiente (realmente em cores vivas!), como foi trazer o disco para palco? Como vem sendo a recepção do público?

O show de lançamento no Auditório Ibirapuera foi muito especial!
Foi um show que preparamos com muito trabalho, amor e carinho, e acho que isso foi passado para aqueles que estavam presentes nesse dia.

Tivemos um feedback muito emocionante das pessoas sobre o show e sobre os sentimentos que foram despertados em cada um por meio desta apresentação.

Isso nos deixou imensamente felizes, pois nosso principal objetivo é que nossa música chegue às pessoas dessa maneira e cause boas sensações e também reflexões.
O processo de trazer o disco para o palco foi bem tranquilo e natural, pois o disco foi gravado quase todo ao vivo, como tocamos no show. Somente alguns overdubs de coros e vozes que foram feitos em estúdio precisaram ser adaptados para executarmos ao vivo.

AC: O trabalho teve participações especiais como Fabiana Cozza e Rosa Passos e o show, inclusive, contou com a presença da Mônica Salmaso. Como foi trabalhar com esses artistas?

Trabalhar com essas artistas foi maravilhoso. Já tínhamos um contato próximo com todas elas. A Rosa Passos é nossa querida madrinha musical. A Fabiana e a Monica são amigas muito queridas e já havíamos compartilhado diferentes trabalhos musicais com elas.
Tê-las participando com a gente, tanto no CD quanto no show de lançamento foi um grande presente pra nós e não precisamos nem dizer o quanto somou ao nosso trabalho! Uma honra pra nós ter essas grandes artistas, que somos muito fãs, por perto!

Ouça “Extra”:

AC: “Cores Vivas” é o segundo registro de vocês, certo? O que mais mudou na música de vocês desde o lançamento de “Vem Ver” em 2013?

Isso mesmo, o “Cores Vivas” é o nosso segundo disco e ele é bem diferente do primeiro por vários motivos.
Primeiramente porque o nosso primeiro CD “Vem Ver” é metade autoral e a outra metade conta com músicas de compositores da cena independente, Já o “Cores Vivas” é um disco onde somos intérpretes da obra de Gil.
Outra grande diferença é em relação a instrumentação. O primeiro disco tem como espinha dorsal o baixo e a voz, mais com diversos coloridos timbrísticos trazidos pelas participações como: guitarra, percussão, vozes, bateria, etc. O segundo disco é todo de baixo e voz, explorando várias outras possibilidades sonoras que esses dois instrumentos podem trazer.

AC: Vocês também já tiveram várias experiências com festivais, certo? É um caminho interessante para artistas independentes? Como vocês avaliam essas experiências?

O nosso começo foi por meio de um festival de canção. Existem vários deles que ocorrem pelo Brasil e eles podem ser uma espécie de incentivo, pois existem premiações em dinheiro que podem servir de alavanca para a estruturação de um trabalho novo e que ainda não possui possibilidades financeiras para se concretizar. Além dos diversos novos encontros musicais que ocorrem, gerando novas parcerias. Acredito que seja bacana encarar esses festivais como uma alternativa de início da carreira e não como um caminho a se seguir, pois a ascensão artística e divulgação do trabalho somente através deles acaba sendo um pouco limitada.

VANESSA E FI2

Foto: Marina Jurado

AC: O encontro da voz de Vanessa com o baixo do Fi não é a única característica inusitada no duo, que também traz a mistura de ritmos e estilos. O permear de vocês entre a música regional, erudita (entre outros) representa muito do que é a música do Brasil, então poderiam comentar um pouco sobre o processo para essa pluralidade de influências?

Tanto eu como a Vanessa sempre fomos muito ligados a cultura regional do nosso país, que é de uma riqueza impressionante. Além disso, tudo o que nós escutamos e estudamos se agrega a um grande caldeirão de influencias que se encontra em constante modificação, e que reflete em cada trabalho que vamos desenvolver.

Gostamos, escutamos e tocamos diversos estilos musicais que vão do Jazz à música erudita, do pop à música regional, e essa mistura vem a tona na nossa maneira de criar. 

AC: Atualmente, o que têm tocado na playlist de vocês? Com que outros trabalhos se identificam e indicariam para quem gostou de “Cores Vivas”?

As grandes mídias só têm interesse em coisas descartáveis e sem conteúdo, e isso atrapalha muito, pois a maior parte das pessoas acaba não tendo acesso ao que se faz de melhor no nosso país, infelizmente. Hoje em dia temos ferramentas importantes, como as redes sociais, onde conseguimos uma divulgação mais efetiva desses trabalhos independentes que são muitos, e vários feitos com muita qualidade e seriedade. Muita coisa boa, que admiramos e escutamos está sendo produzida pelos artistas da nova geração e podemos citar alguns, como Dani e Débora Gurgel Quarteto, Dani Black, Pedro Altério, Tó Brandileone, Sidiel Vieira, Gian Correa, Mestrinho, Alexandre Ribeiro, Chico Pinheiro, Jota P, Rafael Abdalla, José Luiz Martins, Bruno Migotto, Anna Setton, Juliana Amaral, Joana Duah, Giana Viscardi, Tatiana Parra, Antônio Loureiro, Pedro Martins, Gabriel Grossi, Seis Canta, Paulo Almeida Quinteto, Oritá, Rodrigo Digão Braz Trio, Fabio Leal Quarteto, Pedro Viáfora, Bruna Moraes, Webster Santos, Fabio Gouvêa, Trio Curupira, Grupo Bambu, Daniel D´Alcantara, Luciana Alves, Leandro Cabral Trio, Nina Wirtti, Grazie Wirtti, Livia Nestrovski, Zéli Silva, Luiza Salles, dentre vários outros. Seria uma lista imensa (risos)

Veja o teaser do disco:

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