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1ResenhaPorDia: Penadinho – Vida (Paulo Crumbim e Cristina Eiko)

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*Por Meiri Farias

A maior parte dos textos que estão sendo publicados no especial 1ResenhaPorDia é fruto das nossas aquisições da 22º Fest Comix, que aconteceu em São Paulo no mês de junho. (veja a matéria completa com a nossa cobertura!) Com a resenha de hoje, voltamos a um tema já conhecidíssimo dos leitores habituais do Armazém: GraphicMSP. No impulso de completar nossa coleção (agora falta pouco!), acrescentamos a nossa estante três volumes: “Papa-Capim: Noite Branca”, “Chico Bento: Pavor Espaciar”, e o resenhado de hoje, “Penadinho: Vida“.

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Paulo Crumbim e Cristina Eiko, que são um casal na vida real, se unem para contar uma história de amor na morte: Penadinho precisa contar para Alminha que está apaixonado antes que ela reencarne. Mas a fantasminha sumiu e o nosso heroizinho do cemitério contará com seus amigos Zé Vampir, Frank, Cranicola e Muminho para encontrar a sua amada.

A jornada dessa turminha se mostra cheia de perigos que acabam por revelar um pouco da personalidade de cada personagem. Zé Vampir é o que poderíamos classificar hoje como o amigo “zueiro”, aquele que sempre tem uma piadinha pronta, adora perturbar os amigos (Penadinho – e seu amor por Alminha – é a vítima favorita). Muminho é o amigo covarde, mas nem por isso arreda o pé. Mesmo sujando suas bandagens em pântanos turbulentos, não abando os companheiros de forma alguma. Já Frank é literalmente o “amigão” sua inocência transborda gentileza e boa vontade. Sem esquecer de mencionar que o traço do personagem está realmente uma graça na versão de Crumbim e Eiko. Alminha é um capítulo a parte, sua graça melancólica a faz praticamente flutuar pelas páginas.

Algo que sempre me encantou no universo das Graphics é a possibilidade de  conhecer a “origem” (ou descobrir uma nova) dos personagens ou de características deles. Bidu é literalmente um a história de origem, mostrando o encontro do cachorrinho com Franjinha. Já em Turma da Mônica: Laços, descobrimos uma razão curiosa e divertida para a ausência de sapatos dos personagens. Em Penadinho, somos introduzidos a história de Lobi, o  Lobisomem. A narrativa foi tão bem amarrada e desenvolvida, que confesso que não identifiquei o personagem de cara e no momento em que a compreensão chegou foi divertidíssimo.

A arte do casal é primorosa. O contraste entre as cores escuras com a fofura dos personagens, expressa bem como o assustador mora naquilo que é externo ao cemitério. Os quadros onde Penadinho e Alminha flutuam pela cidade, lembram bastante o centro de São Paulo, então é bem interessante ver a história ficando menos urbana com o avançar da aventura. Outra característica que pontua bem essa relação de oposto e chamou muito minha atenção, foi o design da foice da d. Morte com símbolos de sorte amarrados, mostrando que no fim, a vida é apenas um jogo de dados.

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O vilão de “Vida” sintetiza bem a essência da hq. Em uma história romântica, o sr. Crowley nada mais é do que a perda do amor. Para encontrar sua paz, o ancião precisou dar as mãos a morte, enquanto Penadinho e Alminha descobrem que o amor pode ser vivido em sua plenitude, por que não, mesmo na morte.


 

 

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