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Carolina Ito: Jornalismo em Quadrinhos

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

Carolina Ito fez a denúncia em 2015 e trouxe assunto que já grita em urgência a muito tempo novamente a pauta: a invisibilização das mulheres no universo dos quadrinhos. Jornalista e quadrinista, após ser indicada para o HQ MIX do ano, Carolina decidiu fazer um levantamento apontando a disparidade entre as indicações dos trabalhos: 82% dos autores eram homens. Você pode conferir os dados na íntegra no link.

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Dona do blog Salsicha em Conserva, Carolina também produz reportagens em HQ para a revista Trip, além de ter publicado “Estilhaço”, livro-reportagem em quadrinhos sobre uma jornada pelo Vale do Jequitinhonha. Saiba mais sobre a artista na entrevista abaixo, onde ela também conta sobre o processo intenso na elaboração deste trabalho “Eu não queria passar uma visão romantizada ou colonizadora em relação à situação do Jequitinhonha e também não queria deixar de mostrar o nível de abandono político e social da região”, conta.

Armazém de Cultura: Durante o HQ Mix 2015, você divulgou um levantamento que apresenta disparidade entre o número de homens e mulheres indicados ao prêmio. Com o aumento da discussão sobre o tema, como você a avalia a situação das mulheres dentro do universo de quadrinhos atualmente?

 Carolina Ito: Acho que as mulheres vêm conquistando maior representatividade e reconhecimento por conta das discussões e da luta pela igualdade de gênero. Obviamente, até isso chegar aos espaços institucionais de premiações e eventos, demora um bom tempo, mas acho que o caminho da visibilidade não tem volta.

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Confira a tira completa aqui

AC: Como você começou a fazer quadrinhos? como surgiu o Salsicha em Conserva?

Carolina: Eu sempre desenhei, fiz um trabalho ou outro em quadrinhos durante a graduação em jornalismo. Resolvi me aperfeiçoar a partir de 2013, porque queria fazer meu trabalho de conclusão de curso em formato de grande reportagem em hq. Por isso criei o Salsicha, em maio de 2014, como uma forma de me obrigar a desenhar mais e pensar sobre a narrativa.

AC: Na graphic novel Estilhaço, você uniu o jornalismo ao hq em uma jornada pelo Vale do Jequitinhonha. Como surgiu a ideia de fazer essa reportagem em quadrinhos? Como foi a experiência, desde a apuração até a produção dos quadrinhos propriamente?

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Carolina: Eu vinha acompanhando trabalhos de jornalismo em quadrinhos, como os de Joe Sacco, Guy Delisle e os publicados na Pública e revista Fórum. Esse tipo de formato e narrativa me atraiam muito, então, pensei em transformar meu trabalho de conclusão de curso em uma reportagem em hq. Juntei grana por um bom tempo para poder viajar para o Vale do Jequitinhonha e consegui uma carona para lá com um grupo de pessoas que fazem doações todo fim de ano.

A experiência foi muito interessante e chocante, porque era uma realidade muito distante da minha vivência de classe média paulistana. Tive muitas crises ao longo da elaboração do roteiro e dos desenhos, foi um processo bem intenso. Eu não queria passar uma visão romantizada ou colonizadora em relação à situação do Jequitinhonha e também não queria deixar de mostrar o nível de abandono político e social da região.

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AC: Além das tiras de jornal, o quadrinho tem aparecido com cada vez mais frequência como uma linguagem possível e interessante para o jornalismo. Além do seu trabalho, tanto com Estilhaço ou com a Revista Trip, você consegue nos indicar outras iniciativas semelhantes que sejam interessantes para os nossos leitores conhecerem?

Carolina: No Brasil, recomendo os trabalhos do Alexandre de Maio (Fórum), Robson Vilalba (Gazeta do Povo), Augusto Paim, Chiquinha.

Copy of Copy of Era como se a história já existisse e só transcrevesse pro papel. Quis que as sensações fossem além da descrição psicológica do autor, mas que quem estivesse lendo pudesse imaginar os sabores, as

AC: Durante uma matéria que fizemos pela CCXP 2015, o quadrinista Felipe Nunes (Klaus, Dodô), comentou “Não acho que existe um mercado [de quadrinhos], existe uma produção”. Como você avalia esse cenário? quais são as principais dificuldades para quem quer viver de quadrinhos no Brasil?

Carolina: Bom, acho que quem faz quadrinhos sacou que não dá pra ficar esperando ter publicações em grandes editoras, do circuito mais mainstream. Então, a maioria está partindo para a produção independente, financiamento coletivo, publicações em pequenas editoras, etc. Acredito que a partir do que as pessoas publicam de forma autônoma é que as grandes e pequenas editoras “pescam” para o mercado editorial. Eu mesma não vivo só de quadrinhos, por enquanto. Faço alguns freelas, mas tenho outras atividades. Hoje há mais oportunidades de trabalhar de forma independente, sobretudo, por conta dos recursos da internet e das redes sociais, mas, apostar nisso requer muita coragem e planejamento.

AC: Tanto no jornalismo, quanto nos quadrinhos, quais foram suas principais referências para começar a produzir?

Carolina: A obra que me marcou no início, que me despertou para a possibilidade de fazer quadrinhos foi “Persépolis”, da Marjane Satrapi. O tipo de narrativa das graphic novels foi o que mais me surpreendeu, pois foge do padrão de quadrinhos de super-heroi. Gosto muito dos livros do David B., Bastien Vivès, Alison Bechdel. As webcomics da Revista Samba também foram inspiradoras quando comecei com as hqs.

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Confira mais conteúdos do Salsicha em Conserva aqui

 

 

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