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Mário Wamser: Música precoce com as cores de Minas

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

Mário Wamser encontrou a música cedo. Com família de músicos profissionais, o artista mineiro cresceu entre os discos do pai, o sons de violão e as cantorias das festas em família. Essa relação precoce com arte resultou em sua entrada na Bituca Universidade de Música ainda aos 14 anos. Hoje, aos 26, já tem um disco lançado (Mário Wamser, 2015) e planeja seu próximo trabalho para 2017. “Trarei influencias eletrônicas pro meu som, pretendo tocar mais Pianos e Rhodes no álbum, guitarras mais sujas, batidas mais fortes e letras mais diretas, menos metáfora e mais ‘porrada na cara’”, conta.

Confira a entrevista completa!

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Foto: Daniel Gosling

Armazém de Cultura: Você vem de uma família com músicos profissionais e também toca instrumentos, como bateria, piano, guitarra. Qual a importância de ter crescido em um ambiente musical, ter convivido com esse universo desde cedo?

Mário Wamser: Isso é muito importante, não que seja crucial, mas você sai na frente se começa mais cedo. O simples fato de ter em minha casa, desde sempre , contato com os instrumentos que eu toco hoje, é o ponto principal.

Aprendi a tocar todos os instrumentos que eu tinha à minha disposição em casa ao longo dos anos, simplesmente por curiosidade. Mas essa curiosidade já estava fomentada pelos discos que meu pai colocava pra ouvir, pelos sons que ele fazia com violão, pelas cantorias das festas em família , e assim vai…

Copy of Era como se a história já existisse e só transcrevesse pro papel. Quis que as sensações fossem além da descrição psicológica do autor, mas que quem estivesse lendo pudesse imaginar os sabores, as vozes, o

AC: Ainda sobre esse conhecimento “precoce” no meio musical, você se formou cedo na Bituca Universidade de Música. Como se deu este tempo de estudo da música? Como foi participar desse ambiente de trocas e amadurecimento musical?

Mário: É, aos 14 anos resolvi fazer a prova da Bituca Universidade de Música, meio sem saber o que estava fazendo na verdade, mas aconteceu que eu passei, e comecei ali uma das jornadas mais importantes da minha vida, que foi o contato com o grupo de teatro Ponto de Partida, contato com vida profissional artística e o contato com o sujeito que virou de ponta a cabeça o meu jeito de tocar violão que é o sr. mestre Gilvan de Oliveira.

Gilvan foi primoroso em sua metodologia para com o meu jeito de estudar, me direcionou caminhos nos quais eu me desenvolvia muito a cada aula. Eu vivia em um universo conturbado ainda, muito adolescente, mas estava vendo e ouvindo tudo com muita atenção, como ele mesmo gostava de dizer “um olho no peixe, o outro no gat” ( risos ), e assim os anos foram passando e eu fui seguindo meu caminho como compositor, cantor, instrumentista, conquistando voos maiores.

AC: Como foi o lançamento do seu primeiro disco? o que mudou na sua música desde então?

Mário: Lancei meu primeiro álbum em 2015, é um álbum gostoso de ouvir e principalmente, pra mim, um momento de coragem. Há muito tempo queria fazer alguma coisa, passar a existir como artista em algo físico, e eu sempre ficava procurando o momento perfeito pra isso acontecer, as condições perfeitas, ter comigo grandes artistas participando do disco, ser financiado ou algo assim, e isso nunca acontecia (risos), decidi então abaixar a bola e fazer um primeiro trabalho mais simples, digno, mas de um jeito que tivesse vias reais de acontecer.

Toquei em muitos lugares por causa deste álbum, rolou imprensa, conquistei público, estou crescendo, e é isso, às vezes basta fazer.

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Foto: Pablo Bernardo

AC: Frequentemente você publica na página do Facebook canções comentando serem do próximo álbum. Poderia comentar um pouco sobre o andamento dos seus próximos projetos?

Mário:  Pois é, meu primeiro álbum foi muito influenciado por uma sonoridade mais acústica, um álbum leve com bastante influência do Clube da Esquina .

Já no próximo disco que pretendo lançar em 2017, trarei influencias eletrônicas pro meu som, pretendo tocar mais Pianos e Rhodes no álbum, guitarras mais sujas, batidas mais fortes e letras mais diretas, menos metáfora e mais “porrada na cara”. Pretendo também tocar em assuntos que a galera geralmente não quer falar, como racismo, homossexualidade, disputa de classes e etc.

AC: Você já  se apresentou ao lado de grandes mestres como: Toninho Horta, Weber Lopes, Beto Lopes, Gabriel Guedes, Milton Nascimento, Gilvan de Oliveira, certo? Além de participar do tributo ao Humberto Gessinger.  Como esses nomes influenciam sua música? Que outros artistas são referências para você?

Mário: Já bebi de muitas fontes, tive o prazer de tocar e vivenciar experiências com artistas dos quais sou fã, que é o caso do Toninho Horta, do Milton e do Humberto. Não conseguiria realmente te dizer com facilidade minhas influências, mas vou tentar resumir ( risos ) Clube da Esquina, Beatles, Humberto Gessinger, Coldplay, Bjork, Lenine, Death Cab for Cutie…

AC: Minas Gerais é um dos berços da canção brasileira, legando grandes clássicos a MPB. O que você indicaria da cena atual para conhecermos?

Mário: Na cena atual, gosto muito do álbum “Vertigem” de um camarada chamado Pedro Morais, um lance sonoro entre o Rock e o Dub que ficou bem legal, e não poderia deixar de falar da cantora e compositora Mari Blue, mineira nascida em Belo Horizonte, acabou de lançar um álbum lindo chamado “Fruto da Flor” do qual tive a honra de fazer as guitarras,  já disponível em todas as plataformas, vale muito ouvir.

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