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Recorte: Dos balões de sonhos que soltamos no ar

Recorte


*Por Talita Guimarães

Há alguns anos escrevi em uma folha solta minha lista de sonhos a realizar. Lembro que aos prantos, certa vez, mostrei-a para minha mãe em um momento de muita tristeza por não conseguir viver nem mesmo minhas combinações mais minhas, atropeladas pela vida e pelos acontecimentos que me impediam de fazer o que eu queria.

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Arte: Talita Guimarães

Na minha lista os sonhos eram todos abstratos. Desejos lúdicos por experiências e não por objetos ou qualquer coisa material que o valha.

Queria eu em uma modesta lista de uma página só abraçar pessoas que admirava, editar um livro, partilhar momentos com amigos, ter paz sem perder a inquietação, entre outras coisas. Lembro que na lista de abraços estavam a repórter Eliane Brum, que muito me inspira e o cantor e compositor Pedro Altério, cuja voz de abraço me acalma e enche de paz.

Há algumas semanas me dei conta de que realizei alguns desses desejos este ano quando nem mais lembrava que um dia os pusera no papel como sonho desejoso de alcançar, um dia, quem sabe.

Em abril lancei Recorte! (PoD Editora) e em junho abracei o Pedro em uma de minhas passagens por São Paulo.

Nina

Embalada por essa paz advinda de combinações internas bem sucedidas, pus-me a pensar no que seria fundamental para uma alegria mais genuína. E então me ocorreu listar umas tantas experiências que julgo eu, deveriam ser asseguradas a todos, tal qual coisa que todos deveríamos ter a chance de viver. Para saber como é, desfrutar e então quem sabe evoluir, se tornar alguém melhor. Claro que como tudo o que é idealizado, tal compilação de sonhos poderia não corresponder à garantia da felicidade plena quando vivida tal qual uma obrigação inescapável, mas o que estou propondo aqui é muito mais uma lúdica lista de experiências fundamentais do que uma legislação para a felicidade.

Curiosamente, no livro As Valsas Invisíveis, o amigo Eduardo Trindade escreve sobre a Lei do Abraço, sugerindo que todos deveriam ter direito a pelo menos um abraço por dia. Com um parágrafo único ressaltando que mais e mais abraços diários são muito bem vindos. Pessoalmente, não posso deixar de concordar, pródiga de abraços que sou.

Lancei a questão no twitter (@tatguimaraes) a fim de conhecer o que os amigos daquela rede social pensavam a respeito. Enquanto esperava alguma interação por lá (que não veio), construí minha lista substituindo “direito” por “chance”, o que suaviza a aparente obrigação e se aproxima mais da noção de ganhar da vida um presente. Isto posto, que todos tenham a chance de:

  1. Abraçar as pessoas que admiram;
  2. Experimentar um amor fraterno;
  3. Passar algum tempo imerso em natureza na companhia de alguém muito amado;
  4. Segurar a mão de um ente querido em sua despedida dessa vida;
  5. Rezar por alguém olhando nos olhos dessa pessoa;
  6. Saber que alguém reza por você na sua ausência;
  7. Viajar por dentro do país, por terra, tocando o solo do continente, respirando o ar das cidades do caminho, ouvindo os sotaques das pessoas e sentindo na pela a mudança de temperatura do mundo;
  8. Viajar na janela do avião para ver o céu sendo amparado pelas nuvens;
  9. Retribuir alguém com o que de mais maravilhoso essa pessoa já fez por você;
  10. Ser acolhido em um momento de falha por um amigo carinhoso que te ajuda a reparar o erro;

Como convite, este recorte propõe que os estimados leitores pensem nos desejos mais singelos e gratificantes que já realizaram e nos que gostariam de vivenciar ainda.

Penso que faz um bem danado soltar balões de sonhos no ar na esperança que bons ventos nos soprem em suas direções. Pensando assim me ocorre que não deve ter sido por acaso que faz um tempo eu comecei a associar meus estados de alegria à sensação de flutuação. Ao que tudo indica, o tempo de flutuar ao sabor dos sonhos acalentados chegou.


Recorte 1

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