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Recorte: 27!

Recorte


*Por Talita Guimarães

Ontem completei 27 anos.

Meu vigésimo sétimo ano de vida foi surpreendentemente feliz. Foram tantos presentes ao longo desses doze meses que nem consigo quantificar. Como se a vida estivesse sendo celebrada com mais frequência do que o comum, com tanta boniteza vindo ao meu encontro em um espaço de tempo de repente curtíssimo para tanta realização.

Encontrar abrigo às quintas-feiras aqui no Armazém de Cultura foi um desses pacotes que desembrulhei extasiada nesse período. Por isso hoje peço licença aos queridos leitores do AC para passar meu último ano em revista, e com muita honra convidá-los a comemorá-lo comigo. Afinal, vocês fazem parte do motivo para tanta festa!

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Penso que o jogo virou lá por setembro do ano passado, quando entrei de cabeça na preparação do meu segundo livro, Recorte! (PoD Editora) e convidei nossa estimada Meiri Farias para prefaciá-lo. Poucas vezes compartilhei a história por trás da gênese do livro. Mas o fiz por e-mail, para que a até então amiga platônica conhecesse a motivação envolvida na publicação.

Recorte! só virou livro graças ao olhar generoso do meu tio-padrinho Serginho (quem já leu a crônica Serginho, Cássia e eu, sabe de minha estima pelo dindo), quando nos idos de 2014 escrevi um conto para ele e minha dinda Dayse, sua esposa, falando sobre nossa relação. Ao conhecer os cadernos de onde mais textos como aquele saíam, tio Serginho propôs que pensássemos juntos na publicação daquele material. Queria ele, assim como eu, dar exemplares da compilação de presente. Acontece que a vida tinha outros planos para nós, levando-o de nosso convívio terreno meses depois, em março de 2015.

Cinco meses de silêncio depois, estávamos em agosto, no meu primeiro aniversário sem uma ligação sua. Em seu lugar, minha madrinha voltou a tocar no assunto, convidando-me a retomar o projeto que o dindo queria tanto fazer acontecer.

Foi quando respirei fundo e resolvi trazer pra junto pessoas que fizessem o nascimento do livro fazer ainda mais sentido. Meu editor, o carioquíssimo Luiz Claudio Furtado, era amigo de juventude do meu tio. Meiri, ao aceitar o convite para escrever o prefácio, era a jornalista recém-formada cheia de gás e frescor que eu fora quando comecei a preencher os cadernos que se transformariam em Recorte!. Cercado de pessoas significativas, o livro começou a ganhar forma, preenchendo vários meses com leituras atentas, revisões, lágrimas, lições, alegrias, planejamentos e muito, muito amor envolvido. Penso que não foi por acaso que a primeira metade de exemplares chegou pelo correio no exato dia em que a despedida do dindo completou um ano. Sim, a data de sua partida convertendo-se numa data de chegada. Nascimento de nosso sonho em comum.

E então veio o lançamento em abril com uma sensacional agenda de encontros com leitores em São Luís, São Paulo e Rio de Janeiro. Eu dando meus primeiros abraços presenciais nas já muito minhas amigas Meiri e Bia algumas horas antes de nos reunirmos na Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima onde faríamos a primeira de duas belas rodas de conversa sobre Recorte!. Antes, em São Luís, já tinha sido muito acarinhada durante um fim de semana inteiro de festa, primeiro na encantadora Feira Criativa do NaFonte Coworking promovida pelo querido casal Carol e Fábio e depois na Noite Recorte!, festa belíssima armada pelo sempre querido Diego Pires do Movimento Sebo no Chão.

Falar no Diego me faz perceber que corri muito no tempo e preciso voltar em outubro de 2015, quando nossa feliz parceria literária começou na Feira do Livro de São Luís, cuja sigla não por acaso é FeliS. Na ocasião, Diego não só acolheu os exemplares remanescentes de Vila Tulipa (2007), meu primeiro livro, colocando-os em consignação no estande do Sebo no Chão como providenciou mesinha, toalha e uma tarde inteira para que eu ficasse por perto lendo trechos do livro e conversando com leitores. Poucas vezes na vida fui tão feliz ao ver Paulo, Tatinha e toda a turminha da Vila acolhidos com tanto capricho após tanto tempo do lançamento. Não bastasse todo esse mimo, naquela tarde esgotamos a primeira tiragem do livro.

Nina

E então mais uma vez preciso corrigir meu lapso de memória retrocedendo um mês para reparar qualquer injustiça. Em setembro eu já havia sido trazida de volta para a literatura pelo pessoal do louvável Clube do Livro do Maranhão, coordenado pela Fernanda Araújo, que para um adorável encontro com dez autores maranhenses achou por bem me convidar. Um lembrete milagroso que me injetou novo gás, tirando-me da reclusão involuntária em que havia entrado sabe Deus porquê.

E então, mais uma vez fica claro que o jogo virou pra melhor depois do último dia de agosto do ano passado.

Isso para ficar só no campo da literatura.

Porque paralelamente a tudo isso, houve ainda o florescimento de um caminho no meio audiovisual para mim. Quem diria – eu não! – que seria justamente a escrita que me levaria para a imagem em movimento. Graças a uns textos que andei escrevendo, fui parar no Éguas Coletivo Audiovisual e quando dei por mim já tinha com eles escrito projeto de série para TV, projeto de curta e longa, feito um curso de cinema, assinado produção de um curta TCC, viajado o país como assistente de direção na companhia de quinze malucos maravilhosos rumo ao Uruguai com uma Kombi 1974 a reboque. Tudo em um espaço de doze intensos meses.

Ufa!

Não bastasse o caminho na escrita e agora no cinema, reconciliei-me com meu traço infantil ao ter a oportunidade de ilustrar as colunas semanais que escrevo aqui para o Armazém. E nossa, como isso tem me feito bem!

E aí me vem milhares de confetes de chocolate para colorir e adoçar meu bolo de 27 anos: os abraços que dei em pessoas que admiro um bocado como Marcelo Segreto, Paula Mirhan, Dani Black,  Bárbara Rodrix, Bruna Moraes, Pedro Altério, Vinícius Calderoni, Larissa Baq, Juca Chuquer, Rafael Altério, e ufa, Tacy de Campos, a fenomenal intérprete da inesquecível Cássia Eller no musical em homenagem a cantora que está rodando os teatros do país. E aqui cabe um comentário especial: a vinda do espetáculo para São Luís não era coisa que eu cogitasse. Desde sua estreia no Rio em 2014 que eu ansiava pela chance de assistir, coisa que chegara a planejar com minha prima Lili para que fossemos juntas com o dindo, seu pai, quando ele saísse do hospital, o que infelizmente não aconteceu, adiando assim de modo doloroso nossa ida ao teatro.

Eis que descobri que na volta do Uruguai em julho, chegaria a tempo de ver Cássia Eller, o musical em sua primeira vinda a São Luís-MA. Mais alegria e emoção desmedida para meus quase completos 27 anos.

E só pra atestar que quem a gente ama nunca se despede inteiramente de nós, o taxista aleatoriamente selecionado pela cooperativa que nos buscou na saída do espetáculo musical da Cássia foi o mesmo que me levou para casa no dia 29 de março de 2016, quando fui buscar a caixa com os livros no endereço da entrega.

Pelo tanto que aprendi e por tudo o que ainda vou viver embalada por todo esse amor que recebi, penso que ontem demarca um tempo festivo a comemorar. E que nos venham mais meses de graça e realizações. Aqui e por onde mais a vida nos levar.

O aniversário é meu, mas a vontade mais sincera do meu coração é de celebrar cada um de vocês que fizeram meu caminho até aqui mais feliz. Gratidão! Muito mais amor, paz, encontros e saúde para todos nós nos meses que vem vindo aí.


Recorte 1

3 thoughts on “Recorte: 27!

  1. Talita, você já me fez ficar os olhos cheios de lágrimas hoje e repetiu a dose agora.
    Fico muito feliz em saber que o Clube fez e faz parte da sua vida e tenho fé que vou ver cada vez mais você em voos mais altos!
    Sucesso sempre! ❤

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