Abre Aspas

Greg: O Contador de Histórias – Uma HQ sobre o contágio da liberdade

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

Marcio R. Gotland acredita na cultura do compartilhamento e é disso que se trata esse texto. No decorrer da entrevista, é possível encontrar essa “crença” em três momentos distintos. O primeiro é na possibilidade de comunicação do seu trabalho ao leitor por meio da internet. Sua HQ “Greg: O Contador de Histórias” aparece primeiramente na internet em uma webcomic (que você pode ler aqui) e agora o autor também faz uso da rede para trazer seu trabalho para o papel, o que aliás, nos leva ao segundo momento. A HQ está em campanha de financiamento coletivo pelo Catarse para o lançamento de sua versão física.

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O terceiro ponto onde essa “cultura do compartilhamento” aparece é no próprio enredo da história que deu origem a HQ: Gregório – personagem que aparece primeiramente no romance “Cidade de Kant”, também do Marcio – é um líder que usa a contação de histórias para incentivar jovens a derrubar a tirania que se apresenta no enredo dentro de um futuro distópico. E do compartilhar dessas histórias que nasce a HQ, o enredo dos quadrinhos se forma a partir da história que Gregório conta.

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Sinopse da HQ

Hora de compartilharmos um pouco dessa conversa! Confira a entrevista com Marcio:

Armazém de Cultura: Conta um pouco para nós sobre a HQ! Como surgiu a ideia para “Greg: O Contador de Histórias”? 

Marcio R. Gotland: Desde 2012 eu venho trabalhando em um romance que denominei “Cidade de Kant”, e o contexto é um futuro distópico da Cidade de São Paulo. O Gregório é um dos personagens, um líder que usa a contação de histórias para ensinar, influenciar e incentivar os jovens a derrubar a tirania que se apresenta no enredo. Então, resolvi produzi as histórias que ele conta em forma de quadrinhos e assim, nasceu “Greg: O Contador de Histórias”.

AC: A história surgiu por meio da webcomic publicada no seu site e agora ganhará versão imprensa por meio do financiamento coletivo. Como autor, quais as principais diferenças entre essas duas formas de veiculação do seu conteúdo?

Marcio: Lancei “Greg: O Contador de Histórias” no formato webcomic, primeiro por acreditar nesse tipo de cultura, a do compartilhamento; e segundo, por ser uma forma efetiva de levar o trabalho até o leitor, uma vez que se tratava de um trabalho e autor desconhecido, e na internet não há barreiras territoriais. Dessa forma, as pessoas podiam conhecer e ver o que eu produzia, em qualquer lugar do mundo. Foi assim que fiz leitores e amigos. Entretanto, não deixei de pensar na possibilidade de lançar a HQ impressa, e por isso, produzi no formato americano, afinal, há leitores avessos ao formato digital, aqueles que preferem sentir o cheiro do papel. E o objeto “físico” não perdeu sua importância, apesar de todo o avanço do mundo digital.

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AC: Falando em crowdfunding, como está sendo essa experiencia para você? quais as principais vantagens em viabilizar o projeto de forma coletiva? e quais são os receios em escolher essa modalidade?

Marcio: Faz aproximadamente vinte dias que “Greg: O Contador de Histórias está no Catarse e pela variedade de sentimentos, posso afirmar que é uma experiência intensa. É como por seu trabalho à prova e ainda depender de pessoas que acreditam em você. É preciso variar nas estratégias para convencer seus leitores a viabilizar, conjuntamente, o projeto e esse esforço é diário. As vantagens, ao meu ver são, primeiro o financiamento do projeto, depois, a divulgação que a ferramenta traz para o trabalho. Quanto aos receios, eu diria, que todos têm medo do fracasso, principalmente o artista, que por natureza é melancólico. Mas até o fracasso é uma escola, e eu digo mais: o Catarse é uma escola, ninguém sai dessa experiência da mesma forma, eu imagino.

AC: Se por um lado, vivemos com tantas possibilidades de comunicação, por outro, a intolerância e agressividade que a polarização (política, ideológica, social) resulta propagam uma sensação constante de repressão. Você descreve a HQ como “Uma lição sobre o contágio da liberdade, tão necessário nos dias contemporâneos”. O que é liberdade nesse momento e como isso se manifesta na HQ?

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Marcio: Não sou contrario ao artista engajado politicamente por meio de sua produção, os artistas parecem ser a linha de frente em situações de caos social, em ambos os lados do embate político. Mas, é preciso ter a noção de que, a arte, por mais efêmera que pareça ou que de fato seja, ela deixa rastros que ultrapassam o tempo e o território de origem, dessa forma, o artista pensa a sociedade em seu todo, uma macro visão. Percebemos isso quando lemos  Aldous Huxley e George Orwell e achamos que eles falam dos dias atuais, quando eles escreveram em outro contexto, tempo e lugar. Passado e presente provam que o mundo vive, constantemente, fatos que desregulam os grupos sociais, produzem problemas de identidade e divisões e a literatura está recheada desses momentos, onde, inclusive, surge a figura clássica do narrador, aliás, atualmente na literatura o papel do narrador é suprimido e a experiência de leitura passa a ser um momento do leitor consigo próprio, como uma literatura que pretende não tomar partido. O que eu fiz com “Greg: O Contador de Histórias” é tentar resgatar esse papel do narrador, descrito por Walter Benjamin no ensaio “O narrador” como aquele que possui, como principal característica, o senso prático. Logo, o narrador não é como um deus distante que descreve tudo o que acontece com os pássaros na gaiola, ele é um dos pássaros, o que sabe como sair da gaiola, mas não quer a liberdade só para ele. É disso que a HQ trata!

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AC: Como você começou a fazer quadrinhos? Algum trabalhou e/ou artista influenciou diretamente o seu?

Marcio: Comecei bem cedo, mas nada sério. Aos 16 anos fiz uma história em quadrinhos como trabalho de língua portuguesa na escola, depois, me envolvi mais com o formato, passei a andar com uma turma que fazia mangá, e fiz também, inclusive publiquei algumas coisas. Fui para a faculdade de arte e tive contato com outras linguagens, como a gravura em metal e xilogravura, depois de formado, voltei a fazer quadrinhos, algo que eu sempre gostei. “Greg: O Contador de Histórias” é o resultado desse retorno. Atualmente deixo me influenciar por artistas clássicos como Will Eisner e Jack Kirby, mas também, pelos quadrinhos europeus.

Saiba mais sobre o projeto na página do Catarse:

 

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