Abre Aspas

A Vida de Awvas: Humor e reflexões sobre cotidiano em quadrinhos

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

“Quadrinhos sobre uma vida de reflexões, humor, fantasia, amor e outras coisas sem nexo.”, é assim que Anderson Willyan Vieira Azevedo de Souza, o Awvas, define sua HQ “A Vida de Awvas“. A história, que traz uma compilação das ideias autobiográficas do autor, está sendo viabilizada por meio de um financiamento coletivo realizado recentemente pelo Catarse.

Awvas é ilustrador e “treinador de ideias”, com experiência em Design, além de ter participado da equipe criativa das cerimônias dos jogos olímpicos Rio 2016. Quer conhecer melhor o trabalho do artista? confira a entrevista completa!

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Armazém de Cultura: Você define “A Vida de Awvas” como “histórias de cotidiano e pensamentos aleatórios sobre a sociedade”. Como começou a desenhar sobre essa temática, como surgiu a necessidade de expressar essas ideias?

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Imagem site do artista

Anderson Awvas: Aconteceu de uma forma natural. Desde pequeno escrevo em diários e na adolescência veio a ideia de começar a desenhar algumas situações neles e daí foi surgindo a necessidade de brincar com isso. Em 2013 decidi exercitar melhor essa ideia de diário e ao mesmo tempo treinar meu traço e daí surgiu “A vida de Awvas”.

AC: Relato autobiográfico é um tema muito recorrente nos quadrinhos. HQs como “Retalhos”, “Persepolis” ou o mais recente, “Pílulas Azuis”, trazem essa temática de forma mais complexa, mas é possível encontrar na internet diversos artistas que produzem tiras autobiográficas em menor ou maior grau (Will Leite em Will Tirando, Fernanda Nia em Como eu Realmente). Por que será que o tema é tão atraente? Como é se tornar seu próprio personagem?

 Awvas: Acredito que geralmente é um processo natural para quem faz. Não é nada novo e incrível. As ideias estão ao nosso redor e os criadores de conteúdo só são aqueles que conseguem enxergar o mundo de uma forma diferente, capturar e treina-las a sua melhor maneira.

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AC: Explica um pouco sobre a estrutra de “A Vida de Awvas”? Qual é diferença entre Episódios, Pensamentos Aleatórios, Estágios de Awvas e Rimagnética?

Awvas: Com o passar do tempo percebi que eu precisava classificar os temas que eu narrava de alguma forma e ficou assim:

-Os episódios, são aquelas histórias realmente baseadas em situações que ocorreram no meu cotidiano de alguma maneira.

-Os Pensamentos aleatórios, são literalmente isso. Coisas da minha cabeça, ideias que surgem de questionamentos que faço ou de diálogos filosóficos em conversa com amigos.

-Os 5 estágios de Awvas, são também histórias geralmente baseadas no meu cotidiano, mas em 5 estágios de evolução. É uma cena específica ou a construção de um ciclo.

-O Rimagnética, são rimas baseadas em letras musicais de uma banda que tinha com os amigos na época de colegial (a Banda ímã). As letras falam de situações diversas e muitas vezes bem nonsense.

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AC: O projeto foi bem-sucedido na campanha de financiamento coletivo do Catarse, como foi a experiência para você? Quais as principais vantagens de utilizar crowdfunding para financiar projetos? E os temores?

Awvas: Foi incrível e muito sofrido ao mesmo tempo. Aprendi muita coisa no meio do caminho e mesmo tendo estudado bastante sobre o financiamento coletivo, foi bem complicado administrar o tempo e as redes sociais durante a campanha.

As vantagens são: descobrir o número de pessoas que realmente gostam do meu trabalho e que querem apoiar de várias formas, expandir horizontes de ideias e poder tirar seu projeto do plano das ideias sem o apoio de nenhum grande nome da indústria para chegar com o pé na porta.

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AC: Conta um pouco sobre sua trajetória profissional e outras experiências! Você participou da equipe criativa das cerimônias dos jogos Rio 2016, certo?

Awvas: Sou formado em Design e já trabalhei em várias áreas do setor. Recentemente trabalhei nas cerimônias olímpicas e paralímpicas Rio 2016 e foi uma experiência incrível. Fui ilustrador 2D e trabalhei ao lado de feras que sempre fui fã. Um trabalho do cão, mas que recompensou muito no final do projeto.

AC: Gostamos de explorar trabalhos que apresentar um olhar sobre o cotidiano, uma alternativa ao mainstream de quadrinhos de super-heróis. O que te influencia? O que indicaria para quem gostou do seu trabalho?

Awvas: Tenho muitas referências, muitas delas foram citadas na entrevista, como Will Leite e Marjane Satrapi. Indicaria para pesquisarem por incríveis artistas e amigos que me inspiraram muito como Camilo Solano, Luciano Salles, Marcos Noel e Rebecca Prado (na verdade poderia escrever mais uns 40 nomes, mas preferi enxugar rs), esses são feras queridíssimas que admiro de mais.

 

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