Abre Aspas

Yo Soy Toño: Música que acompanha a travessia

Abre Aspas

*Por Meiri Farias

Antonio Oiticica é um viajante. O músico nasceu no Rio de Janeiro, morou por um tempo na França e em Maceió, absorvendo assim um pouquinho de cada lugar em suas canções. “Sinto que minha música seja um som de viagem, de estrada, daqueles que se põe no som do carro ou no fone de ouvido pra fazer companhia no caminho e viver o trajeto junto”, explica. Para o projeto “Yo Soy Toño”, o artista traz essa bagagem de observador da travessia. “Gosto do bardo como personagem nesse contexto do mundo inteiro. E o bardo está muito próximo dos cantadores do Nordeste, que é outro personagem que estou atento.”

No formato voz e violão, o projeto nasceu a partir da composição da canção “Trilhos” para o curta alagoano “Entre Pontos, que não chegou a ser a estrear. “O filme não foi lançado, mas o Yo Soy Toño sim. Seria legal vê-lo rolando algum dia, tem um roteiro que combina muito com a ideia da música”, conta. Confira a entrevista completa e conheça mais sobre o trabalho do Toño!

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Foto: Yasmin Assis

Armazém de Cultura: Você é carioca, mas se diz “alagoano de alma”. É interessante, pois geralmente os artistas fazem o caminho inverso, saindo do nordeste em direção ao sudeste. Conta um pouco sobre como essa alma de alagoano influencia sua música! O lugar, espaço físico, reverbera de alguma forma naquilo que compõem?

Toño: Sinto que minha música seja um som de viagem, de estrada, daqueles que se põe no som do carro ou no fone de ouvido pra fazer companhia no caminho e viver o trajeto junto. Eu sempre gostei de ouvir música e viajar e de ouvir música enquanto viajo. Acho que essa condição está na minha música porque eu sou meio viajante também: nasci no Rio, morei na França, em Maceió morei em vários lugares e por muitos anos no subúrbio, fazendo com que minha vida fosse de caminhar longos caminhos para sair e voltar pra casa. Eu gosto muito dessa narrativa da casa, do pertencimento e indo além, de trazer o personagem do estrangeiro, do imigrante, do marginal, do suburbano, que faz sua casa nas bordas ou na estrada, um cara da travessia. Eu sou também um cara das bordas, do Nordeste, que está à margem do eixo de maior visibilidade, mas tendo ligações com vários pontos do mundo, atravessando. Consigo ver, de alguma forma, esse caldeirão de referências no meu som.

Ouça “Ela”:

AC: O projeto “Yo Soy Toño” começa a partir da sua participação na trilha sonora do curta alagoano “Entre Pontos”, certo? Como foi esse início? explica um pouco sobre essa trajetória desde 2014.

Toño: É engraçado isso do Entre Pontos porque ele nunca saiu. Então eu gravei a música e mandei pro pessoal e ao mesmo tempo resolvi lançar no Soundcloud. O filme não foi lançado, mas o Yo Soy Toño sim. Seria legal vê-lo rolando algum dia, tem um roteiro que combina muito com a ideia da música.

Quanto ao meu trajeto, eu já vinha planejando fazia tempo lançar esse projeto, mas sempre tinha dúvida quanto ao formato e travava. Daí eu toquei “Trilhos” num churrasco de amigos e o Iuri, produtor do Entre Pontos, a ouviu e quis colocá-la no filme. Eu não tinha gravado ainda, só tinha uma pré caseira, mas com banda. Ele pediu pra ser numa vibe mais acústica e assim o fiz. E depois não parei mais de lançar material.

AC: Além do “Yo Soy Toño”, você também é vocalista e guitarrista da banda Dof Láfá. O que mais diferencia um projeto do outro?

Toño: A Dof Láfá é uma banda e o Yo Soy Toño um projeto inicialmente de um homem só. Essa distinção é bem sentida por mim, porque a forma como você organiza tudo, desde composição até divulgação do material muda muito. E acho massa ter os dois, banda e solo. Além disso, no lado musical, o Yo Soy é algo mais leve, baseado no Folk e Indie, já a Dof tem um som mais pesado, com Rock e Pós-Rock.

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AC: Na descrição do seu projeto pelas mídias sociais (no caso, Facebook e Soundcloud), você sempre passa a sensação de absorver referências do mundo todo e também de produzir sem fronteiras. Dentro desse cenário, quais são suas principais influências, seja literalmente na música, ou em outras linguagens artísticas.

Toño: Gosto do bardo como personagem nesse contexto do mundo inteiro. E o bardo está muito próximo dos cantadores do Nordeste, que é outro personagem que estou atento. Meu projeto voz e violão tem muito dessa ideia, de ter um formato mínimo e leve de se carregar pra todo canto. Também, no quesito compor em outras línguas, não poderia deixar de citar Manu Chao e Rodrigo Amarante.

AC: O Armazém tem base em São Paulo, mas temos uma ligação muito especial com Alagoas (as irmãs que idealizaram o projeto e lideram a equipe são filhas de alagoanos). O que acompanha e indicaria da cena local para quem se identificou com seu trabalho?

Toño: Gosto muito de Milkshakes, Morfina, Marinho, Wado. Aqui tem muita coisa legal e queremos ser escutados.

AC: Quais são os planos para o futuro do projeto? disco, turnê? o que podemos esperar de Yo Soy Toño em 2017?

Toño: Um disco. Em 2017 vem um disco cheio. É minha maior meta. Já está na hora. Podia até ter vindo em 2016, mas foi bom esperar mais pra chegar num repertório legal. E depois disso, eu quero andar o mundo inteiro.

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