Cotidianas

75 anos da Mulher-Maravilha

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Quadrinhos, cinema e ONU, a trajetória da princesa amazona como ícone da cultura pop

*Por Meiri Farias (atualização em 01/06/2017)**

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Capas e mocinhos heroicos salvando o dia no cinema já não são novidade para ninguém. Se contarmos com um tipo de herói um pouco diferente do que estamos habituados, já na década de 1920 era possível ver o Zorro duelando e guerreando pelo povo no filme mudo “A Marca do Zorro”, dirigido por Fred Niblo e Theodore Reed. Mas é em 2008 com o primeiro Homem de Ferro, que se estabelece um “formato” que o universo cinematográfico das grandes editoras passa a obedecer: equipes de heróis com personalidade complexas, vilões marcantes, enredos interligados em grandes franquias e bilheterias milionárias. Tony Stark (gênio, bilionário, playboy, filantropo e tudo aquilo que já sabemos) se torna um marco da nova “era” dos super-heróis, dando uma dianteira de sucesso para a Marvel Studios. Com filmes elogiados até mesmo pela crítica, a Casa das Ideias se torna referência no que toca a integração do universo dos quadrinhos na tela grande, o que tem feito a DC Comics correr para apresentar o seu universo expandido que lança o primeiro longa da Mulher-Maravilha, o primeiro em live-action em 2017.

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O universo ficcional compartilhado da DC/Warner começa em 2013 com “O Homem de Aço”, seguindo com“Batman vs Superman: A Origem da Justiça” e “Esquadrão Suicida” em 2016, passando pelo filme de origem da maior heroína da DC em 2017, provavelmente para chegar no longa da Liga da Justiça no fim do ano. Filmes de heróis como Flash e Cyborg também já foram anunciados, assim como uma sequência de Liga da Justiça. O calendário de filmes livremente adaptados de histórias em quadrinhos mostra que ambas as editoras tem planos a longo prazo. Só em 2016, seis filmes de super-heróis foram lançados (somando personagens da Marvel – Marvel Studios e Fox, e DC – Warner), mais seis longas estão programados para 2017, seguindo essa média anual até 2020 pelo menos. E as garotas começam a encontrar seus exemplos de representatividade em adaptações de ambas editoras: para 2019, a Marvel já anunciou um longa solo da Capitã Marvel para 2019, com a atriz Brie Larson confirmada como Carol Danvers.

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Considerado o primeiro filme de herói com protagonista feminina da era moderna, Mulher-Maravilha é um caso raro: com direção de Patty Jenkins, o longa sobre as origens da princesa de Themyscira é um dos poucos filmes encabeçados por mulher a atingir a marca de US$ 100 milhões de orçamento. A expectativa para ver Gal Gadot novamente da pele de Diana, papel que a atriz já assumiu na breve participação em “Batman vs. Superman”, tem movimentado os grupos e fóruns pela internet. “Foi incrível ter recebido a notícia de que finalmente haveria um longa metragem com pessoas reais nos cinemas! Houve aquela tentativa de série de TV que não saiu nem do episódio piloto e isso me deixou muito insegura em relação ao futuro dela na telona”, comenta Thalita de Lima, designer que já fez cosplay da personagem, mencionando o seriado de 2011 que foi cancelado antes mesmo da exibição e trazia a atriz Adrianne Palicki no papel principal.

Mulher-Maravilha – Trailer Oficial (leg) [HD]

Até a Diana Prince de Gadot no cinema, a versão mais popular da Mulher-Maravilha nas telas ainda era a de Lynda Carter no seriado de 1975. Dani Marino, pesquisadora de quadrinhos que integra a Associação de Pesquisadores de Arte Sequencial (ASPAS), foi espectadora de Carter e agora comenta a expectativa para o longa de 2017. “Acho difícil a gente se decepcionar, pelo menos as mulheres. Já é um ganho enorme ter um filme dela.” Os números confirmam: na semana que seguiu o dia 3 de novembro, quando o trailer mais recente do filme foi divulgado, o termo “Wonder Woman” dominou as mídias socials com mais de 136,000 novas menções, segundo dados comScore, empresa de análise de internet dos EUA.

Com as opiniões divididas quanto a qualidade dos antecessores, DC/Warner encontra a possibilidade de se estabelecer no imaginário dos filmes de heróis com a super-heróina mais popular da história. Seguindo o movimento já iniciado na televisão, onde heroínas de personalidade diversas como Jessica Jones (Marvel/Netflix) e Supergirl (DC/CW) já encontram ressonância na cultura pop, a Diana de Themyscira encarnada por Gadot promete apresentar o início da heroína em uma história que faz referência a suas origens na década de 1940 no contexto da Segunda Guerra Mundial.

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No livro “Mulher ao Quadrado”, a pesquisadora Selma Regina Nunes Oliveira faz um panorama das representações das mulheres nas histórias em quadrinhos, traçando uma linha sobre o tipo de personalidade que era apresentada em cada época e as relações com o contexto. Segundo o texto de Selma, as histórias em quadrinhos apresentam a possibilidade de naturalização de valores, modelos e paradigmas que são decalcadas na memória coletiva sobre forma de representações. “As aproximações que a cultura de massa promove entre os diversos meios de comunicação são, na verdade, movimentos de aproximação entre o imaginário e o real”, diz a autora, que destaca a reorganização do perfil das personagens femininas nos momentos em que o movimento feminista, entre outros fatores, conseguiu produzir alguma mudança no papel social da mulher.

Roteiro de Charles Moulton e desenho de HG Peter

Roteiro de Charles Moulton e desenho de HG Peter

A Mulher-Maravilha emerge desse cenário de reestruturação social para mulher. Surgindo no período conhecido como “Era de Ouro” dos quadrinhos (final da década de 1930 até meados de 1950), Diana de Themyscira, a princesa amazona é considerada o maior ícone feminino do universo das HQs. Criada pelo psicólogo William Moulton Marston, a Mulher-Maravilha é enviada ao “mundo do patriarcado” como embaixadora das amazonas para propagar seus valores de paz, justiça e igualdade. Possuindo habilidade sobre-humana, Diana tem como principal “arma” o seu laço da verdade. A primeira aparição das Mulher-Maravilha nas HQs é 1941 no “All-Star Comics #8”, justamente no contexto da Segunda Guerra Mundial, onde em várias histórias da época é possível ver Diana ajudando o exército aliado contra os nazistas.

O que de tão relevante existe na criação de uma super-heroína que combate inimigos e ajuda o exército americano? Vale lembrar que o Capitão América da Marvel também surge em 1941, legitimando a tendência de personagens que emergem de conflitos bélicos e encontravam nesses mesmos soldados que o inspiraram, grande parte do seu público inicial. Para entender o destaque da Mulher-Maravilha, é necessário pensar um pouco sobre o contexto da mulher no período e quais representações personagens femininas tinham nos quadrinhos e na ficção de modo geral.

Um pouco de história

Até a década de 1930, a mulher tem dois papéis específicos dentro das histórias: coadjuvante que ajuda o herói a completar sua jornada (geralmente a salvando, ativando assim o seu heroísmo) ou a “mulher ornamento”, a típica senhora dondoca que dedica sua vida para os cuidados da família. O espaço ocupado pela mulher reflete bem o contexto da época, já que a mulher vive no espaço privado, o espaço familiar. Ao homem é dedicado o espaço público, o direito de sair e viver suas aventuras (seja salvando o mundo, ou apenas vivendo a aventura de ter uma vida externa a seu lar. Uma vida pública). A mulher vive sob a tutela do homem, é sempre bela, dócil e frágil (bela, recatada e do lar?) e deve esperar sua libertação que virá impreterivelmente de seu herói. Na década de 1930 já temos alguns exemplos de mulheres trabalhando e com uma vida externa, são ativas e dinâmicas, com uma rotina sempre “agitada”, mas ainda ocupam majoritariamente o espaço de “esposa”. Histórias como Winnie Winkle (1920) e Blondie (1930) refletem bem esse cenário.

Winnie Winkle

Winnie Winkle

Blondie

Blondie

As coisas começam a mudar a partir de 1940. As mulheres já possuem direitos formais (é preciso destacar que os direitos como voto e possibilidade de trabalhar fora não necessariamente eram assegurados, embora formalmente conquistados) e com a Segunda Guerra Mundial, as mulheres são convocadas como força reserva de trabalho. Saindo literalmente do ambiente doméstico, a mulher precisa de uma representação que condiza com suas novas necessidades sociais. William Moulton Marston era psicólogo e simpático a pautas relacionadas a Direitos Humanos, especialmente a conquista de espaço das mulheres. Marston acreditava que as mulheres eram mais aptas para governar que os homens, pois mentiam menos (o psicólogo foi um dos criadores do polígrafo, o detector de mentiras). Nada mais lógico que as principais características da personagem sejam pautadas na luta pela verdade e justiça. A Mulher-Maravilha surge como símbolo dessa mulher que alcança a emancipação.

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No lugar das mocinhas indefesas, uma heroína capaz de salvar a si mesma e os outros, superando as adversidades com força, inteligência e beleza. Dani Marino, pesquisadora na área de quadrinhos, destaca a importância de oferecer esse tipo de narrativa para crianças e adolescentes. “Foge daquela ideia de que a mulher tem que ficar sempre esperando o príncipe encantado, que ela tem que se submeter”, explica. “Ela está aí para mostrar que ela pode ser a própria salvadora e lutar pelo que acredita sem depender de ninguém.”

É interessante destacar que o contexto espacial da qual a Mulher-Maravilha emerge denota diversas contradições. As mulheres de Themyscira partem da mitologia grega, um povo criado pelas deusas para servir de exemplo a humanidade. Guerreiras e independentes, as amazonas em nada lembravam a condição social e política da mulher na Grécia antiga, onde sequer eram consideradas cidadãs e ocupam uma posição social de inferioridade em relação aos indivíduos de sexo masculino. As amazonas são autossuficientes, guiadas por valores de paz, justiça e igualdade, aliando a sabedoria na tecnologia com a proximidade com a natureza.

As amazonas de Themyscira em imagem promocional do filme

As amazonas de Themyscira em imagem promocional do filme

Contradições marcam toda a trajetória da personagem, que nem sempre apresenta um exemplo de representatividade para as mulheres reais. Em alguns de seus períodos “fracos”, Diana é apresentada de forma a reforçar os estereótipos de submissão impostos às mulheres. Como na “All Star Comics #12”, onde é apresentada a Sociedade da Justiça (embrião da Liga da Justiça) como “secretária” dos heróis. Ou no criticado período de “desempoderamento” da personagem durante a Era de Bronze dos quadrinhos, quando Dennis O’Neil era encarregado pelas histórias da personagem e retirou os poderes divinos da heroína, transformando-a em uma lutadora de artes marciais. Essa fase foi duramente criticada pela jornalista e ativista feminista Gloria Steinem, que resumia o novo perfil da personagem como um “James Bond entediante e sem liberdade sexual”. Ainda a quantidade de situações polêmicas e ambíguas envolvendo submissão e histórias com alusões a práticas sadomasoquistas que são bem recorrentes em histórias da Mulher-Maravilha.

Entre as fases mais “frutíferas” da personagem, vale destacar a “Mulher-Maravilha: Deuses e Mortais” reformulada por George Pérez no período pós Crise Nas Infinitas Terras. Na origem idealizada por Pérez, as amazonas eram reencarnações de mulheres assassinadas “pelo medo e ignorância dos homens”. A fase de Pérez é citada por Bilquis Evely como um das suas favoritas. A artista brasileira da DC Comics que atualmente assume os desenhos da Wonder Woman na série Rebirth, destaca o “tom quase como um épico de música ópera” do período. “E também pela arte, não só a dele, mas de tantos artistas talentosos que participaram, como por exemplo, a Jill Thompson”, completa.

A origem da Mulher-Maravilha por George Pérez

A origem da Mulher-Maravilha por George Pérez

Bilquis também cita a fase dos anos 2000 com Greg Rucka, com quem a artista trabalha atualmente no Rebirth. “Lá a gente vê a Diana resolvendo problemas de seres humanos mesmo”, explica. “É o que também faz sentido para mim, se ela saiu da ilha e abdicou sua imortalidade em prol da humanidade, esse deveria ser o seu maior interesse: cuidar de pessoas.” Bilquis também destaca a fase de Brian Azzarello e Cliff Chiang, especialmente pela liberdade criativa da equipe em uma história bem experimental “São criadores de peso, e o Chiang trouxe uma aparência bem certeira para ela, algo fora do padrão de beleza americana”, completa.

A notícia que uma artista brasileira assumiria os desenhos de Mulher-Maravilha foi recebida com muito entusiasmo pela comunidade nerd no Brasil, especialmente pelas mulheres. Bilquis, que já trabalhou em Bombshells para a DC e também da minissérie de Sugar & Spike com Keith Giffen, foi convidada para a edição “Wonder Woman #8”, totalmente focada na origem da vilã Cheetah (Mulher-Leopardo). A artista conta que recebeu o projeto com bastante naturalidade. “Porque sim, ela é uma das minhas personagens favoritas, ou talvez a favorita mesmo, mas eu sempre tento analisar se o projeto é legal para o meu estilo.” explica. Depois de ver a repercussão da notícia, entretanto, compreendeu o quão importante era participar do projeto. “Eu percebi o quanto aquilo era significativo e o quanto eu, como mulher, tinha a oferecer para a personagem. Fiquei bem emocionada.”conta Bilquis, lembrando como sempre tem coisas que acontecem no meio dos quadrinhos que incomodam e até mesmo afastam as leitoras. “Agora eu posso fazer a minha parte.”

Capa da hq Wonder Woman #8

Capa da hq Wonder Woman #8 por Bilquis Evely

Dani Marino, que também escreve para os portais Iluminerds, Quadro a Quadro e Minas Nerds, busca sempre descrever as relações de representatividade no universo dos quadrinhos, como é o caso do texto “Como as mulheres estão mudando o mercado de HQ”. O texto publicado recentemente no Minas Nerds, discute a necessidade de representatividade e identificação das mulheres na hora de consumir quadrinhos. “A gente está dentro de uma cultura que é hegemônica, patriarcal, que sempre entendeu a mulher como um objeto, a maior parte dos produtos vai refletir isso, que a mulher é um objeto para o olhar masculino. Mas quando você tem uma mulher desenhando, ela não está pensando só no público feminino, ela também está pensando nela, representando o que interessa para ela. A perspectiva é diferente”, explica Dani destacando a importância das mulheres não somente comprando e lendo quadrinhos, mas também produzindo conteúdo nos espaços de cultura nerd. “As mulheres vão gostar mais, vão comprar mais e consequentemente, vai abrir porta para outras mulheres.”

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“Heroína, semideusa, soldado pacifista – eu sou todas essas coisas em parte, mas nenhuma delas por inteiro”. Em “Mulher-Maravilha: Espírito da Verdade” (Alex Ross e Paul Dini), Diana descobre que as vezes é necessário sair dos holofotes e se igualar àqueles que defende para conseguir ajudá-los efetivamente. Propagando ideias de tolerância, esperança e compreensão, a história reflete muito bem as principais características da amazona que, mesmo quando se sente uma “estranha no ninho” ou é encarada com desconfiança, descobre meios de proteger as pessoas que estão mais expostas e socialmente marginalizadas. Como embaixadora de Themyscira no mundo do patriarcado, a Mulher-Maravilha aprende que nem sempre é pela diplomacia ou pela força que se chega as pessoas, mas principalmente por meio da empatia.

Mulher-Maravilha de Alex Ross

Mulher-Maravilha de Alex Ross

Os valores defendidos por Diana em “Espírito da Verdade”, tal como seu senso de justiça, verdade e liberdade, propagados em praticamente todas as HQs da heroína, levaram a ficção para a realidade quando a Organização das Nações Unidas nomeou a Mulher-Maravilha como Embaixadora Honorária para o Empoderamento das Mulheres e Meninas. Em uma cerimonia no dia 21 de outubro de 2016, que foi escolhido como “Dia da Mulher-Maravilha”, a ONU fixou os pontos da campanha que tem como tarefa dar visibilidade ao 5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que busca alcançar igualdade de gênero até 2030.

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– Falar contra a discriminação e limitações das mulheres e meninas;
– Reunir forças contra violência e abuso baseados no gênero;
– Apoio e participação efetiva e igualdade de oportunidades para mulheres e meninas em liderança em todos os aspectos da vida, incluindo o local de trabalho;
– Assegurar que todas as mulheres e meninas tenham acesso à educação de qualidade;
– Compartilhar exemplos reais de mulheres e meninas que estão fazendo a diferença todos os dias.

Para Dani Marino, a facilidade de reconhecimento de uma personagem como a Mulher-Maravilha, gera identificação. “Uma pessoa pode nunca ter lido uma história em quadrinhos da Mulher-Maravilha, mas em qualquer lugar do mundo que você vá, como ícone de cultura pop, ela vai ser reconhecida”, explica. “Quando você tem um exemplo que é afirmativo, que está sendo reforçado por um orgão como a ONU, que é um orgão de atuação internacional, você entende aquilo como um exemplo a ser seguido.”

Lançamento da campanha na sede da ONU

Lançamento da campanha na sede da ONU

A ideia da Mulher-Maravilha como ícone cultural e exemplo da força da mulher é reconhecido até mesmo por alguns seguimentos do movimento feminista. Em 1972, a ativista e jornalista Gloria Steinem fundou a revista Ms. e escolheu a imagem da amazona para a capa como símbolo da mulher forte que a publicação defendia. A publicação se tornou um marco para o jornalismo e para a história da heroína, fazendo que a a Ms. voltasse a estampar a imagem de Diana no 40º aniversário da publicação em 2012.

Capa da Ms. em 1972 e 2012

Capa da Ms. em 1972 e 2012

As características de Diana se tornam força e modelo para algumas leitoras como Thalita de Lima, designer que fez um cosplay da versão DC Bombshells da Mulher- Maravilha durante a DC World Record Day e na Fest Comix, em 2015. “Tudo nela são aspectos que eu quero na minha vida: inteligência, força, diplomacia, gentileza, justiça, esperança e bondade”, comenta Thalita. “Sempre tive vontade de fazer alguma versão de cosplay dela”.

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“Por meio da representatividade, por meio da identificação, você consegue, por exemplo, ver que certos problemas são resolvidos por determinado personagem e você se identifica com aquilo e pensa que também é capaz de fazer. É um sentimento de afiliação”, explica Dani. A pesquisadora reforça a capacidade dos quadrinhos de ajudar o leitor a lidar com a realidade ou mesmo encontrar uma válvula de escape em momentos difíceis. Para o futuro, Dani acredita que a tendência é que a DC mantenha um discurso coerente com os ideais da ONU nas próximas histórias com Greg Rucka e Bilquis Evely, citando também o caso da DC Superhero Girl, que é voltado para o público infantil. “Se você está criando um público que você está querendo fidelizar desde criança, e são meninas que já estão crescendo no contexto que tem o feminismo, eles vão ter que ser muito cuidadosos para não retroceder.”

Já Bilquis ressalta as características mais importantes que simbolizam a personagem: igualdade e justiça. “Enquanto leitora, eu diria que ela é o maior ícone feminino dentro de um meio predominante masculino”, comenta. “Quando você é uma menina e está começando a se interessar por quadrinhos, em quem você pensa primeiro? Mulher-Maravilha! Eu acredito que ela é realmente um farol para as leitoras. Foi para mim.”

Capa de Wonder Woman #16 por Bilquis Evely

Capa de Wonder Woman #16 por Bilquis Evely

“Nós temos um ditado no meu povo ‘não mate se você puder ferir, não fira se você pode tranquilizar, e de forma alguma, levante sua mão antes que você a tenha estendido” (Diana em HQ com roteiro de Gail Simone)

 

**A Mulher-Maravilha perdeu o título de embaixadora de ONU (Organização das Nações Unidas) apenas dois meses depois de ser nomeada ao cargo. A ONU não explicou diretamente os motivos que levaram à desistência da escolha, alegando que campanhas com personagens geralmente são temporárias, porém a recepção negativa da indicação por parte de alguns ativista pode ter influenciado a decisão.

Decidimos por não alterar o texto original, apenas acrescentando essa nota, porque acreditamos que o trecho que citamos a ONU é imprescindível para o conteúdo.


Assinatura Meiri

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