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Bloquinho em São Paulo: A opinião dos foliões

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*Organização Meiri Farias

Acabou Chorare! Os dias oficiais de folia chegaram ao fim (vale ficar atento, que sempre rola bloquinhos remanescentes) e o Armazém traz a opinião dos foliões nessa quarta cinzenta.

Em 2017, a Secretaria Municipal de Cultura recebeu o cadastramento de 495 blocos, que começaram seus desfiles em 17 de fevereiro. Os blocos inscritos recebem apoio de infraestrutura e a participação dos foliões é inteiramente gratuita, sendo proibida a venda de abadás ou outra vantagens como acesso VIP.

Confira os pontos positivos e negativos do carnaval paulistano pelos depoimentos de oito foliões que aproveitaram a festa na terra da garoa!


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Eu gosto muito desse novo carnaval de rua em São Paulo, porque tem programação para todos os públicos e gostos de forma democrática, diferente de antes que ficava mais restrito ao Sambódromo. Sobre o Gambiarra, gostei de ver a Faria Lima tomada de gente e do clima de respeito e alegria que estava no local. Achei legal porque tinha gente de todas as idades, desde crianças até a terceira idade, todo mundo se divertindo, além das fantasias super criativas. Meu único problema foi mais pessoal do que com o bloco em si, porque eu não gosto de ficar em local com muita gente e acabei indo parar no meio da “muvuca”, isso me incomodou muito. Outro problema também foi o transporte público que não se preparou para o deslocamento das pessoas, então estava tudo muito lotado e desorganizado, acho isso um problema grave, porque deve ser priorizado o transporte nesses eventos, então, a prefeitura e o governo tinham que ter se preparado para isso. No geral, foi uma experiência interessante. (Beatriz Silva, estudante de meteorologia)


5

Escolhi ir no Love Fest por ser um festival LGBT, o q eu acho super interessante,  porque é um momento além da parada LGBT para dar visibilidade pra essa galera e por consequência, parto do pressuposto de que vou me sentir mais acolhida num evento com essa temática do que num evento do tipo o Bloco Casa Comigo e afins. Eu gostei bastante pq eram 3 carros e cada um tava com um estilo musical diferente, para agradar vários públicos mesmo. Considerei um dia de empoderamento, mas apesar de ter amado,quase não aproveitei. Passei a maior parte do tempo me sentindo completamente desconfortável porque tinha uns homens escrotos de olho nas minas, se aproveitando da multidão. Até em um lugar que eu jurava que me sentiria acolhida, me senti 100% atingida. Acho que o carnaval de gira em torno disso. É uma delícia, você faz amizade com a galera que encontra por aí de um jeito hiper fácil, todo mundo feliz, mas é uma chuva de desrespeito com as minas, cheio de cara querendo se aproveitar das situações, tirando benefício do empurra empurra das multidões pra se esfregar nas mulheres. (Laura Carignani, estudante)


3

Caetano não titubeou ao apontar que “enquanto homens exercem seus podres poderes”, uma galera (que bem representa as minorias sociais), faz o carnaval. Diante de letras que tanto refletem as questões do tempo, fica difícil desassociar o “Tarado ni você” como um bloco também político, ainda mais quando com o tema eleito para o ano “tropifagia”. Pelas emblemáticas ruas do centro velho de São Paulo, que aliás se relevam perfeitas para a passagem do bloco, bandeiras do direito à cidade e da liberdade de gênero eram evocadas e claro, gritos de Fora Temer. O bloco estava lotado, de nem tão longe se ouvia o som direito, repetiu algumas músicas, mas mesmo assim, é uma das melhores propostas para curtir o carnaval. Ainda mais quando se pode ouvir suas músicas prediletas serem interpretadas por Lineker, Mc Linn da Quebrada e “Não Recomendados”, que participaram esse ano e fortalecem o movimento político dessa nova geração que está aí para causar mesmo e mostrar que o protagonismo do carnaval é nosso. (Clara  Assunção, estudante de jornalismo)


6

Fui no bloco Ma Que Bloco! Um bloco feito pelos estudante da Mackenzie. Pela primeira vez fui sozinha ao carnaval e não me arrependi. Músicas das décadas 1990 até hoje, não apenas as ‘modinhas’. Super organizado, não teve muvuca. Ao terminar o bloco fui pro palco que estava montado na Faria Lima. Infelizmente presenciei algumas brigas por motivos bobos, que no fim não levava nada de maior agravante, pois os próprios foliões separar e acalmava. Afinal é carnaval. (Natália Brito, publicitária)


2

O bloco Domingo Ela Não Vai estava um pouco desorganizado, porém o público fez a festa ficar bonita. Entre gritos de #ForaTemer e Conga la Conga, o trio seguiu do Vale do Anhangabaú até a República tocando grandes hits de axé. Foi lindo ver as pessoas curtindo e se apropriando do espaço público. O momento da explosão foi a chegada da Gretchen, porém a cantora deixou muito a desejar por não cantar, apenas dublar músicas em geral. No mais, foi muito divertido e proveitoso. Fica o feedback para a organização que deveria ter dado uma atenção maior ao público que não conseguia se locomover e acabou tumultuado. (Bruno Alper, estudante de Nutrição)


7

O primeiro desfile do Bloco Pagu foi marcado pela presença de uma bateria toda formada por mulheres. Escolhi o bloco para participar por saber que se tratava de um carnaval feminista, achei legal entender que é possível trazer a militância para as ruas em uma situação assim. Como disse  a cantora Preta Rara (Madrinha da Bateria) durante a concentração do bloco no Páteo do Colégio: “Dançar é um ato político” e assim foi. Por ser o primeiro ano de desfile, acredito que foram bem assertivas na divulgação (conseguiram levar bastante gente pras ruas, era bonito de ver), mas vale destacar que para os próximos anos uma escolha de trajeto com ruas que comportem mais pessoas seria ideal. Com relação ao repertório, acho que deixar os sambas mais reflexivos para o final não é uma boa pedida, mas ainda assim acertaram muito nas vozes que decidiram interpretar. É um bloco que com certeza vou querer acompanhar nos próximos anos! (Beatriz Farias, colunista Armazém)


4

Escolhi o Minhoqueens por ser um bloco LGBT e foi o meu primeiro bloco no carnaval , queria estrear com um bloco legal e alguns amigos começaram nele. Cheguei bem no começo e já tinha bastante gente e estava bem animado, as músicas eram ótimas! Desde divas do pop a Inês Brasil, as pessoas no trio eram fantásticas e dançavam horrores! Drags maravilhosas, algumas famosas que cantaram um pouco como a Lia Clark e alguma que ficaram só sensualizando pra galera mesmo. Apesar de bem cheio, o bloco seguiu sem nenhum problema e eu fiquei bem chocada (não deveria ser assim né), mas fiquei surpresa por não ter sido assediada nenhuma vez. Já tinha ouvido muita gente falando pra tomar cuidado por ser mulher mas não passei por nenhuma situação chata, isso foi ótimo! Não sei se sorte ou por causa do público em sua maioria LGBT. Já perto do final rolou um “fora temer” e “machistas, homofóbicos não passarão” e isso foi muito legal também! Enfim, eu amei toda a experiência e me fez ficar com muita vontade de ir sempre no Minhoqueens e também em outros blocos pop. Sobre carnaval de rua em geral acho que o único problema é a vontade que dá de ir ao banheiro por causa da bebida! hahahaha (Daisa Leite, estudante de Direito)


8

Eu fui no bloquinho do Agrada Gregos, eu achei bem legal. Na verdade foi o primeiro bloquinho que eu fui, eu nunca tinha curtido o carnaval de rua em São Paulo, eu gostei bastante da energia. Se bem que é uma coisa bem muvuca né, mas a gente já espera isso de um bloquinho de carnaval. Eu acho que a energia foi bem legal, eu acho que as pessoas estavam bem dentro do clima. Mas eu não sei se eu entendi bem a proposta do bloquinho, que era pra ser algo temático, meio que pra relembrar um pouco da Grécia antiga. Mas eu acho que esse tema se perdeu um pouco, não consegui encontrar a identidade do bloquinho através das fantasias. Então eu acho que acabou ficando realmente você correr atrás de um trio elétrico, mas que ainda assim não deixa de ter suas vantagens, não deixa de ser gostoso, não deixa de ser um momento legal. Gostei bastante do carnaval de rua de São Paulo, estou afim de curtir ano que vem com um pouco mais de intensidade. Casa Comigo, Monobloco e Ritaleena são três que já estão na minha lista pro ano que vem. (Daniel Alkmin, estudante de psicologia)


Já está com saudade da folia? aproveita a Playlist do Armazém!


Assinatura Meiri

Meiri Farias: Portfólio | Instagram | Twitter

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