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Mês da Mulher: Entrevista com Bilquis Evely na íntegra

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*Por Meiri Farias

No último domingo (12), foi divulgado mais um trailer do filme Mulher-Maravilha (Patty Jenkins), que chega ao Brasil no dia 2 de junho. Pensando no retorno do tema, aproveitamos o mês da mulher para divulgar na íntegra a entrevista que fizemos em dezembro de 2016 com a quadrinista Bilquis Evely, na ocasião do aniversário de 75 anos a princesa amazona.

Bilquis Evely tem 26 anos, é brasileira e atualmente é a responsável pela arte das edições Rebirth da HQ da Mulher Maravilha. A brasileira já fez contribuições para Bombshells e trabalhou na minissérie de Sugar & Spike na DC Comics. Falamos sobre Mulher- Maravilha, heroínas e influências. Confira!

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A matéria mãe dessa entrevista foi publicada originalmente em 9 de dezembro de 2016.

AC: A notícia de que uma artista brasileira participaria do Rebirth foi recebida com muito entusiasmo pela comunidade nerd, especialmente pelas garotas. Conta um pouco como foi o seu trajeto na DC até esse projeto e como está sendo desenhar uma personagem que é ícone, não apenas para fãs de quadrinhos, mas que adquiriu tanto impacto cultural e social!

Bilquis: Meu primeiro trabalho na DC foi em Bombshells, mas apenas participei de duas edições, porque logo em seguida fui convidada para trabalhar com o Keith Giffen na minissérie de Sugar & Spike. Depois disso, fiz a edição especial da Mulher-Maravilha totalmente focada na origem da Cheetah, mas já sabendo que eu seria a próxima artista da série.

Quando eles me convidaram, eu confesso que recebi isso com bastante naturalidade, como qualquer outro projeto que eu tenho que analisar antes de aceitar ou não. Porque sim, ela é uma das minhas personagens favoritas, ou talvez a favorita mesmo, mas eu sempre tento analisar se o projeto é legal para o meu estilo. É isso que eu sempre tenho em mente a princípio. Então eu fiquei muito empolgada, mas principalmente porque eu sabia que era um estilo de projeto que eu me sairia bem.

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Depois, com a repercussão da notícia e quando, de fato, eu comecei a colocar a mão na massa no projeto, eu percebi o quanto aquilo era significativo e o quanto eu, como mulher, tinha a oferecer para a personagem. Fiquei bem emocionada.

Tem tanta coisa que acontece no meio dos quadrinhos que incomodam e que afastam as leitoras. Agora eu posso fazer a minha parte, sempre tendo em mente que os quadrinhos são para todo mundo.

AC: Alguma história da Mulher-Maravilha foi muito marcante na sua trajetória como leitora e/ou artista? Se sim, por que?

Bilquis: Eu gosto muito da fase do George Pérez, gosto muito do estilo de escrita dele, com aquele tom quase como um épico de música ópera. E também pela arte, não só a dele, mas de tantos artistas talentosos que participaram, como por exemplo, a Jill Thompson.

ASPA BILQUIS.jpgTambém gosto da fase dos anos 2000 do Rucka, porque ele trouxe a personagem para perto das pessoas comuns.  Lá a gente vê a Diana resolvendo problemas de seres humanos mesmo. É o que também faz sentido para mim, se ela saiu da ilha e abdicou sua imortalidade em prol da humanidade, esse deveria ser o seu maior interesse: cuidar de pessoas.

E apesar de ser uma história praticamente alternativa, acho muito marcante a fase do Azzarello e do Chiang. São criadores de peso, e o Chiang trouxe uma aparência bem certeira para ela, algo fora do padrão de beleza americana. A história é bem experimental, praticamente como se fosse feita pela Vertigo, mas muito significativa, não só pela qualidade da equipe, mas pela liberdade criativa que pode ser muito construtiva.

Armazém de Cultura: Recentemente a Mulher- Maravilha foi nomeada Embaixadora Honorária para o Empoderamento das Mulheres e Meninas pela ONU**. A escolha levantou a discussão sobre a relevância que uma personagem que nasceu nos quadrinhos adquiriu no “mundo real” nos últimos 75 anos, além de como os valores defendidos por Diana podem ser inspiradores para os leitores. O que a personagem representa para você enquanto leitora? quais características da Diana considera mais relevante? 

Bilquis Evely: Enquanto leitora, eu diria que ela é o maior ícone feminino dentro de um meio predominante masculino. Quando você é uma menina e está começando a se interessar por quadrinhos, em quem você pensa primeiro? Mulher-Maravilha! Eu acredito que ela é realmente um farol para as leitoras. Foi para mim.

Acho que as características mais relevantes são os símbolos que ela sempre representou: igualdade e justiça. Esses são os princípios básicos abordados em todas as boas histórias da personagem.

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AC: A busca por mulheres fortes com a qual as leitoras possam realmente se identificar é tema constante nos e grupos de discussão e blogs de cultura pop. Além da Mulher-Maravilhas, quais personagens mais gosta e/ou se identifica? (não apenas nos quadrinhos, mas também nos seriados, cinema, literatura, etc.)

Bilquis: Não diria que me identifico necessariamente, mas sempre gosto de indicar algumas histórias que não são muito conhecidas. Por exemplo, nos quadrinhos, eu sempre indico a J. Kendall – Aventuras de Uma Criminóloga, escrita pelo Giancarlo Berardi e publicada originalmente na Bonelli Editore, a mesma editora de Tex.

Agora dento do mainstream, gosto muito da Ms. Marvel, escrita pela G. Willow Wilson, um dos quadrinhos mais legais do momento! Muito divertido e ao mesmo tempo discute vários temas de empoderamento.

Na literatura, uma das minhas personagens femininas favoritas é de Till We Have Faces, um livro extremamente desconhecido do público, escrito por C.S. Lewis, o mesmo criador de As Crônicas de Nárnia. É um épico que reconta a história de Psiquê e Cupido, mas dentro de terras bárbaras e na visão de uma rainha, a irmã de Psiquê.

No campo do cinema, eu indico The Nun’s Story ou em português, Uma Cruz à Beira do Abismo, também é bastante desconhecido, provavelmente porque não gera muito interesse das pessoas de ver a Audrey Hepburn como um freira abatida e com olheiras. Mas é provavelmente o filme mais interessante que ela fez, com a intenção, principalmente, de mostrar que ela sabia fazer filmes mais densos. Conta a história de uma enfermeira freira que tenta lidar com as pressões das duras regras impostas dentro de um convento em contraste com a vontade de trabalhar em liberdade ajudando pessoas.

**A entrevista para essa matéria foi realizada anteriormente a decisão da ONU de retirar os título de embaixadora da Mulher-Maravilha. Pela relevância dos comentários e respostas de Bilquis e  outras entrevistadas, optamos por manter o conteúdo como estava publicado originalmente.


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