Recortes!

Cinema:

Logo Recorte

*Por Talita Guimarães

Termino de assistir ao documentário AMY (2015) disponível na Netflix e reflito por algum tempo, impactada pela história de vida de uma das maiores cantoras que esse mundo já teve a honra de conhecer, ceifada de modo tão lamentável.

17555029_656483067891694_865384044_n

Arte: Talita Guimarães

Sigo profundamente incomodada com os relatos sobre a influência negativa do homem que Amy Winehouse mais amou, pensando sobre a forma oportunista com que ele se reaproximou da cantora, tempos após abandoná-la, e a envolveu em uma relação de dependência e vícios. Óbvio que não cabe a mim julgar até que ponto as escolhas de um de fato influenciaram na vida dos dois, de todo modo é o próprio documentário quem reúne depoimentos que levam a crer em uma relação deveras conturbada. E portanto, triste.

Assistir ao filme em casa pelo serviço de streaming me faz refletir sobre a alegria de ter acesso a tão incrível catálogo de filmes e séries no notebook e no celular ao mesmo tempo em que percebo quão abissal é a diferença da experiência de ver no cinema. É que curiosamente, AMY também estava em cartaz em São Luís, no ótimo Cine Praia Grande comandado pelo querido entusiasta do cinema Raffaele Petrini.

Embora fã incondicional da comodidade proporcionada pela Netflix e por ter DVD’s a mão pra assistir a qualquer tempo, sob quaisquer condições (de pijama, por exemplo, meu traje preferido da vida) confesso que não dá pra substituir a experiência de assistir um filme em uma sala de cinema. A imersão é insubstituível, porque te coloca em contato direto com o que é narrado na tela. Te leva exclusivamente para aquele momento da projeção. Te faz viver e sentir aquilo e nada mais que aquilo.

2017 - Aspas_Recorte

E falo isso porque embora totalmente comovida pelo documentário, sinto que em casa não me entrego à experiência de assisti-lo inteiramente. Certa de que estivesse eu em uma das cadeirinhas verdes acolchoadas do Cine PG, teria chorado e sentido ainda mais o coração grande e pequenino em vários momentos. O que não chega a ocorrer em casa, no quarto iluminado pela janela aberta das 16h, com todo o movimento da casa interferindo.

Como quando assisti ao CÁSSIA (2014) no Estação NET de Botafogo, no Rio, que chorei copiosamente sentindo-me profundamente ligada ao filme. O que não necessariamente se repetiu quando assisti novamente em casa, dessa vez pelo DVD, certa noite.

Não que eu precise sempre chorar para estar certa de que me comovi ou ache que só uma sala de cinema permita isso, mas é que a experiência sensorial de estar em contato com o filme – seja qual for – acontece de forma muito mais plena quando me coloco em total atenção ao projetado a minha frente, na telona.

Em resumo, o que concluo é que nada substitui a experiência na sala escura, quando o mundo lá fora fica lá fora, em respeito ao mundo que vai se passar diante dos nossos olhos, sentidos, alma e coração.

Netflix, ainda te amo muito, pela enormidade de alegria e emoção que você leva para perto de mim onde quer eu esteja (venha, venha segunda temporada de Stranger Things!), mas Cinemas do mundo, vocês são e sempre serão os locais mais sagrados para uma experiência cinematográfica especial.


Perfil Talita

Talita Guimarães: Ensaios em Foco | Instagram | Twitter

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s