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A Força do Delírio

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O horário nobre da Rede Globo promete desconstrução com A Força do Querer, mas reforça padrões sociais estereotipados que alimenta o debate: novela é arte ou não?

*Por Beatriz Farias

Gosto de novela. Gosto de pesquisar personagem, enredo, roteiro, gosto de entretenimento. O que não faz sentido é pensar que o meu gosto classifica o produto como bom ou ruim devido a uma opinião pessoal do que seria entretenimento, que em nada mais se basearia do que em minhas vivências de noveleira ou a maneira como fui educada, para acreditar que tudo que era bom estava fora da televisão. Aliás, se ainda nos interessa, podemos ir um pouco além e discutir por que não podemos ter entretenimento de qualidade na TV aberta. Ah, eu posso. Então por que não tenho? Ah, as pessoas já estão satisfeitas com o que assistem, não querem mais. Mas aí eu pergunto mais uma vez – no que já podemos considerar o parágrafo com a maior utilização de interrogações – como é que se conhece outro querer se só se apresenta um tipo? Ah, bruta flor do querer! Ou melhor, vamos reduzir a pergunta: como é que as pessoas conhecem o que quer que seja?

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Um pouco de história: A novela surge no Brasil em dezembro de 1951. Sem muita espera desde a inauguração da televisão no brasil, a TV Tupi exibe “Sua vida me pertence”. Os 15 capítulos da história foram apresentados ao vivo – o videoteipe sequer existia na época – às terças e quintas-feiras, antes de perceberem que o que mantinha a fidelidade do público mesmo era a exibição diária do produto. E assim foi feito, em 1963 estreava a telenovela modificada, consagrando o que ficaria conhecido como o maior fenômeno de massa no Brasil, logo após o carnaval e futebol.

No que ficou conhecido como segundo período das transformações do gênero referentes ao formato, a grande adesão do público tornou possível consumir novela em grande parte das emissoras do país. Ainda assim, o formato herdado dos dramalhões mexicanos só foi superado (se é que foi até hoje, diga-se de passagem) no fim dos anos 60, quando o nacionalismo exacerbado do início da Ditadura gera a necessidade de transformar a criação de telenovelas em algo intensamente brasileiro e a Tupi foi pioneira em despertar uma nova linguagem que apresentava as riquezas e prosperidades do país, herança que acompanhamos nas paisagens cariocas por tanto tempo e apenas nos últimos anos vislumbramos mudança.

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Entenda resumidamente o histórico da telenovela com o passar das décadas

A partir de “Véu de Noiva”, exibida pela Rede Globo, o gênero identificado como “arte do cotidiano” não foi mais o mesmo. Na década de 70 a Globo adotou totalmente a nacionalização substituindo todas as novelas em vigor por produtos “““originais”””. E é desse momento em diante que a emissora domina a teledramaturgia criando um padrão, quer gostemos ou não, reconhecido e amplamente admirado internacionalmente.

“A Força do Querer” estreou dia 3 de abril de 2017 como novela das 21h. A trama de Gloria Perez, transmitida em horário nobre (o que basicamente significa classificação indicativa mais alta, que basicamente significa mostrar umas traseiros femininos sem contexto e algum assunto relacionado a drogas de forma irresponsável), conta com direção de Cláudio Boechel, Davi Lacerda, Fábio Strazzer, Luciana Oliveira e Robert Richards, direção artística de Rogério Gomes e direção geral de Pedro Vasconcelos. Conforme prometia a sinopse do Gshow, o trabalho seguiria o rumo dos antecessores da autora, abordando temas como diversidade, tolerância, dificuldade da aceitação do diferente e o “embate entre o querer e os limites éticos e morais que permeiam nossas escolhas”.

Apresentação da novela “A Força do Querer”:

Analisando o histórico de Gloria Perez, é possível entender a promessa do site já que seus quatro últimos projetos foram as icônicas “Salve Jorge” (2012), “Caminho das Índias” (2009), “América” (2005) e “O Clone” (2001). Embora todos os títulos citados façam de alguma forma menção à diversidade, tolerância – se não como “A Força do Querer”, que pegou todos os assuntos e jogou no liquidificador sem grande atenção a cada ingrediente acrescentado –  dentre os outros caminhos propostos pela autora, vale estudar a maneira com que todo o conteúdo foi – e está sendo – apresentado ao público.

Mas por que abordar esse assunto aqui, senhoras e senhores? Novela por acaso é arte para cumprir com o ideal proposto pelo Armazém de Cultura? Se não é, por que não é? E o trabalho da atriz fulana de tal que de tão bom nos arrancou lágrima de repente? N3 - ASPAS_ABRE ASPASão foi arte? Aliás, quem foi o dono da arte que delimitou a linha do que era ou não arte e por que não ultrapassá-la? Por que aí muita gente vai ter acesso? E se tem acesso fácil não pode ser bom, certo? Em um bate-papo a respeito de teatro e das peças dos dramaturgos Gracê Passô, Pedro Kosovski, Alexandre Dal Farra e Vinicius Calderoni, Vinicius comenta com graciosidade o fato de que uma das coisas que mais gosta no teatro é o fato de fazê-lo lembrar que está vivo, enquanto o entretenimento da telinha parece nos tentar exatamente o contrário. E então não seria justamente o propósito da arte nos alertar a olhar para dentro e dizer “há vida, e vibra”? Por outro lado, fica o questionamento: existe o interesse de que seja bom, ou o interesse de que continue diferenciando o intelecto de pessoas que assistem ou pessoas que são boas demais para assistir em conjunto com as que produzem, mas não assistem?

“Quem vai dizer se é ou não é o espectador, se ele recebeu como arte”, afirma Thelma Guedes, escritora de novelas como “Cordel Encantado” e “Jóia Rara”, a respeito da perspectiva de voltar o olhar para a novela como arte. Com base nos estudos de Maria Louders Motter, atual coordenadora do Núcleo de Pesquisa de Telenovela, e texto de Rogerio Marques para o site Obvious (leia aqui e aqui), a novela prossegue sendo considerada uma “arte menor”, assim como o cinema já foi considerado um dia e as Histórias em Quadrinhos, atualmente, mal a qual sofrem todas as manifestações artísticas que passam por algum processo de distribuição massiva. Ainda que encontrando pontos em comum entre o gênero discutido e artes cênicas, por exemplo, o método ainda continua enfrentando barreiras quando comparado a áreas já consolidadas como artísticas, tais como a música, dança e teatro.

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Arte de divulgação da novela “A força do querer”

Em 2004, Maria Lourdes Motter afirmava que ainda havia muito preconceito com a associação a telenovela, porém o fato não retirava o gênero como produto cultural de maior audiência e influência na sociedade brasileira. “Ah, mas hoje ninguém assiste mais novela, qual o problema?”. Será que em treze anos a mudança foi total assim?

“A Força do Querer” atingiu 32.3 pontos de audiência até o momento em que essa matéria tinha sido publicada, batendo o recorde da novela “Amor à Vida” (2013), que havia marcado uma média acima de 30 pontos nos cinquenta primeiros capítulos. Na prática, sabe o que isso significa? Tem gente assistindo sim.

Para entender melhor o que as pessoas estão assistindo, analisemos todas as esferas do desserviço apresentado pelo produto em questão, em especial quando se trata do olhar voltado para a mulher na trama. A rivalidade feminina é jogada em nossa cara como elo dos núcleos nos papeis de Ritinha (Isis Valverde) e Cibele (Bruna Linzmeyer), Ritinha e Jeiza (Paola Oliveira), Bibi (Juliana Paes) e Leila (Lucy Ramos), dentre outros casos. Importante observar como a mulher é definida por conta do homem. A todo momento a telenovela morde e assopra, mostrando por exemplo, Jeiza, uma mulher extremamente decidida, que em diversos momentos profere frases como “quem gostar de mim vai ter que gostar assim, se não, não gosta”. Opa, um passo para a frente. Mas cinco passos para trás quando exibem o machista assumido com orgulho Zeca (Marco Pigossi), que a todo instante tenta domar a moça com gestos que passam despercebidos, até agressões mais intensas como tirar a moça a força de uma festa.

O papel de Pigossi poderia ser extremamente interessante do ponto de vista da denúncia de tantos homens que ainda concordam com o posicionamento do rapaz, não fosse a atitude de Jeiza. Depois de muito brigar, a moça acaba cedendo, assim como as pessoas que a cercam, deixando claro o posicionamento favorável ao homem que faz o que faz por estar apaixonado e é claro que isso deve ser considerado privilégio, certo pessoal? Nessa altura, a audiência já crente do seu lugar, aceita que não importa o quão incrível a mulher seja, enquanto o personagem ou a profissional, o que acontece de fato para determinar quem ela é, é a certeza de que vai terminar o dia na cama do homem, submissa.

Como os prejuízos sociais são muitos, confira abaixo uma síntese mais aprofundada de alguns personagens que exemplificam a ideia do texto e os desserviços aos quais as figuras estão submetidas.

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Ainda que dedicada a falar da maneira com que a mulher foi submetida no enredo, aqui faz sentido fazer um adendo para o marido de Bibi, o tal de Rubinho. A trajetória do personagem deixa claro o olhar da classe média sobre o restante da população que não está em pé de igualdade. Nunca havia torcido tanto para um moço como para a história deste, que aparentava inicialmente ser apenas um cara legal e pobre tentando ganhar a vida sendo honesto. Mas obviamente a maneira pessoal com que supus pedia demais da lógica. Se o pobre consegue alguma coisa é óbvio que está metido com tráfico de drogas ou similares, vejam bem, as alternativas que nos sobraram. Em oposição ao personagem interpretado por Emílio Dantas, Caio (Rodrigo Lombardi) é o moço rico, inteligente e bem-sucedido, por isso com o direito de nascença a arrogância. Mas que no fim, é que tem direito ao papel de bom moço.

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E por falar da família, a filha de Joyce é responsável pelo que seria o maior tabu levantado em “A força do querer”. Representada por Carol Duarte, o tema a ser debatido é a transexualidade da garota Ivana, que não se encaixa com a vida de Barbie enfeitada que sua mãe lhe inventou. Abordar a transexualidade no país que mais mata transexuais é assunto urgente, que deve prender nossa total atenção e respeito, caso assim como eu você não faça parte da população intensamente oprimida. O cuidado a ser tomado, no entanto, se refere à possibilidade de prender outras pessoas no processe de achar que está libertando.

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A atriz Carol Duarte representando Ivana na novela “A força do querer”

Ivana não gosta de maquiagens ou das roupas que sua mãe lhe escolhe. Prefere jogar vôlei a usar salto alto e não entende alguns gestos reconhecidos como “cavalheirismo” que mais parece alegar a incapacidade das mulheres de realizar funções banais como puxar uma cadeira ou abrir a porta do carro. Opa, aqui temos uma oportunidade incrível de demonstrar que a menina deve ser livre das caixinhas que a alocaram desde pequena, de que é preciso gostar de rosa, gostar de todas as coisas consideradas “para meninas”. A mulher pode gostar de qualquer coisa e o desconforto da personagem relaciona-se ao fato de crescer em um ambiente que não lhe dava a alternativa. Seria uma grande oportunidade, só que não é, porque em determinado momento ela vai se descobrir trans. E a gente vai precisar engolir que ela não era “diferente” porque ninguém é igual, mas sim porque já era homem. E então jamais poderia gostar de coisas produzidas para meninas. Porque homens podem jogar vôlei, não precisam de sutiã. Mulher não. Mulher só sabe ir ao shopping comprar roupa e pensar em homem.

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Outro ponto extremamente nocivo para a mulher que é abordado na trama sem olhar crítico, disfarçado ainda de união e força é a camaradagem masculina, a famosa “broderagem”. Meus amigos, não é bonito, é perigoso. No começo do enredo, Ruy (Fiuk) trai sua noiva com Ritinha, e é acobertado pelo amigo Mauro (Pedro Nercessian), que é também próximo a garota traída. O próprio pai de Beliza encoberta as atitudes de Ruy quando descobre seu envolvimento com outra mulher, já que prefere não motivar escândalos para as famílias. É uma classe média que se representa como desinteressante, sem sal, medíocre, e talvez nem se dê conta.

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É impossível deixar de mencionar a maneira com que o pobre é tratado na novela. Ainda que não surpreenda por ser exatamente igual a tudo o que vemos em conteúdo desse porte, o destaque vai para outro erro de pesquisa gritante na obra: a visão da capital do Pará, Belém. Segundo relembra paraenses, para começar não há nem a distinção entre o que seria o sotaque do Norte e Nordeste do país. A confusão fica ainda maior já que a figura caricata representada não condiz com a realidade, levando grande número de espectadores da região afirmarem o desrespeito com a cultura local transmitido em pleno horário nobre e aplaudido de pé pelo restante do país.

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“Então se é tão ruim por que você não desliga a televisão e deixa de assistir para dar audiência?” Porque esse é o eco da sociedade. Me representando ou não, é o que eles estão dizendo. E para gritar o contrário, é preciso saber quais palavras estão sendo ditas do lado de lá, para corrigi-las do lado de cá e lutar contra a linha que nos divide entre esses e aqueles. É necessário investigar como que ainda assim, a novela é utilizada intensamente e com eficiência na propagação de ideias para criar uma massa de manobra. E aqui não cabe apenas julgar o que é consumido, mas perceber que o problema não se trata necessariamente do consumo dessa cultura, e sim de uma educação que sugere a ingestão absoluta e sua reprodução sem o mínimo de questionamento.

Conforme apontam alguns autores como Maria Lourdes Motter e Maria Cristina Palma Mungioli – professora doutora da Escola de Comunicações e Artes Universidade de São Paulo, ECA -, a cultura de massa ganha destaque conforme a produção dos romances de folhetim se sobressai, um produto endereçado a população em geral por se apresentar como arte “fácil” e “simples”, que poderia até ser lido por mulheres, veja bem como era acessível. O processo de industrialização é responsável pelo desenvolvimento da cultura de massa, já que a sociedade capitalista ascendente portava características essenciais para sua evolução, tais como as ideias de coisificação e alienação do ser humano.

O infográfico do site Programação Televisiva Brasileira indica o aparecimento de questões sociais apresentadas na telinha:

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Infográfico: Programação Televisiva Brasileira

O século XX garante o estabelecimento total da cultura de massa a partir das condições que o capitalismo elaborava na sociedade do consumo, tendo como fortes aliados o cinema e a televisão que promoviam amplamente seus ideais. Algumas correntes de pensamento defendiam a perda de credibilidade dessa cultura feita em série, já que deixava de lado seu caráter de recurso crítico para banalizar o conteúdo. Se a tese está correta ou não, esse texto não sabe responder, claramente é de comum acordo o maior aprofundamento que o tema carece, mas nos façamos do conceito para sugerir reflexão semelhante disseminada por parte do que chamamos de esquerda atualmente.

Grande parcela da esquerda questiona a popularização atual de termos como o empoderamento, justificando que celebrização da temática não passa de uma questão comercial. Como outro tópico que não será respondido aqui, assim como a elitização do meio acadêmico – e nessa espero que a ironia de juntar os dois temas no mesmo parágrafo seja apreendida – vale deixar a interrogação: como pessoas que não tem acesso ao conhecimento podem passar a ter o primeiro contato se não por esse meio?

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Na trama, a personagem de Isis Valverde acredita ser uma sereia

E para não dizer que eu não falei das flores, faz-se pertinente citar alguns contrapontos que poderiam fortalecer o enredo de “A força do querer”, não fosse todo o resto. A Ritinha, por exemplo, abriga uma duplicidade interessante e se aprofundada com maior dedicação e vontade, muito acrescentaria para a militância feminista. Um dos fatos mais intrigantes é o tanto que a moça incomoda os espectadores, que quando não estão rindo de sua inocência caricata, incomodam-se com a ousadia da mesma. A garota que é vista como folgada, depravada e mentirosa, nada mais faz do que correr atrás do que quer para ela, chegando até a admitir em momento de reflexão: “eu gosto do Zeca, mas gosto mais de mim”.

Uma dupla que apresenta potencial, e talvez por isso não tenha grande destaque, é Nonato (Silvero Pereira) e Biga (Mariana Xavier). Nonato é travesti e ganha pontos positivos por mostrar uma realidade não mascarada, luxuosa ou o mais esperado: presente no núcleo engraçado da novela. A história é sofrida e esperançosa de alguém buscando através das dores e delícias ser exatamente o que se é. Já Biga é uma moça gorda que não se dobra ao que se espera de alguém considerado fora do padrão de beleza. O momento crucial para se entender a importância contida aqui relaciona-se a menina Beliza, que com o tom cordial inteiramente dispensável, questiona a colega de trabalho sobre a possibilidade da moça emagrecer, já que é tão bonita. A resposta diz por si só: “porque eu sou bonita”.

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Na foto, Biga descobre que o motorista de seu chefe é travesti

 
Segundo texto de Rogério Marques para Obvious (leia aqui), é no instante de lazer em que as ideologias são assimiladas com maior facilidade. “O que precisamos ter em mente é que as formas da Cultura de massa são intensamente políticas e ideológicas, sendo de fundamental importância aprendermos a lê-las criticamente”, conclui Rogério.

E aqui acrescento ao “lê-las criticamente” o “lidar com elas” criticamente, claro, mas sem deixar de lidar. A nova Malhação é um bom exemplo de como a necessidade de trazer o público jovem que se preocupa com as questões aqui discutidas importa. A reformulação escrita por Cao Hamburguer para 2017 ganhou o subtítulo “Viva a diferença” e aborda temas significativos sem perder o tom jovem, deixando de contemplar simplesmente o cotidiano da classe média e seus conflitos. Não é perfeito, muito menos infalível (principalmente devido aos últimos anos de decaimento do conteúdo que dificultaram a vontade de consumo do público alvo), mas não deixa de ter seu mérito por ser anuncio de que existe sim uma maneira melhor de falar com a geração. Conforme consta a notícia recente do “BlastingNews” (leia aqui), o salário dos funcionários de Malhação decaíram consideravelmente no último ano. A notícia direcionada às garotas do núcleo principal (“Salário dos atores de ‘Malhação’: atrizes recebem R$ 4.500”) ilustra o que aqui tentamos falar: o que pode fazer a diferença não recebe incentivo.

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Taís Araújo e Lázaro Ramos interpretam Mister Brau e Michele Brau na série 

“Ah, mas quem assiste a novela só está querendo descansar de um dia difícil, não quer ficar vendo militância”. E aqui como a resposta direta de que tudo é político não cai bem, nossa segunda e não menos importante alternativa é a grandiosidade da militância no humor (leia matéria que fizemos com a quadrinista Beliza Buzollo, onde o tema é abordado com maior profundidade), entretenimento divertido e didática. A série “Mister Brau” exibida toda terça feira após a novela aqui comentada, expõe a proposta. Protagonizada por Lázaro Ramos e Taís Araújo, o programa de humor mostra dois negros em uma posição que não estamos acostumados a ver na televisão. Falando abertamente sobre temas como racismo, machismo e luta de classes, o humor inteligente evidencia a possibilidade de abordar os assuntos de uma forma que todos entendam e consigam dar até aquele risinho do opressor.

Ainda assim, lembrar que a discussão mais rígida não pode ser esquecida como maneira precisa de falar o que precisa ser dito. E o incomodo faz parte. O que não pode fazer parte é o tanto que estamos dispostos a perder com a incapacidade de encontrar uma maneira de dizer, não é isso maior emissora da televisão brasileira?

É preciso seguir falando, e reclamando desse tipo de coisa. Se o gênero novela existe, assim como o capitalismo – e um alimenta diretamente o outro -, precisamos carregar as armas a nosso favor. O caminho não é esconder, muito menor reforçar padrões. Não é aceitar que estão nos dando o que queríamos com personagens ““diversos”” se a abordagem ainda é carregada de estereótipos. Para mostrar as pessoas que estão nesses lugares a margem, deixa que elas sejam vistas, deixa elas falarem. Ou a gente não pode querer também? A força do querer é nossa mesmo?


Assinatura Beatriz

Beatriz Farias: Tumblr | Instagram

 

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