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Versos que Compomos na Estrada: Desbravando o novo e o familiar

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*Por Meiri Farias

Algo aconteceu. É assim que começa a música “O Poeta”, que abre o disco homônimo do Versos que Compomos na Estrada. Algo aconteceu, é assim que começo esse texto. Algo aconteceu, foi o que pensei quando escutei Versos pela primeira vez.

O Versos que Compomos na Estrada nasceu em 2013 do encontro dos artistas paulistas Lívia Humaire e Markus Thomas, ambos já trabalhavam em suas respectivas carreiras solo. “Poesia musicada com perfume folk”, é assim que os artistas se definem no site do projeto, mas é fácil pensar em outras palavras, melhor, sensações que são despertadas quando se ouve as canções do Versos: sabor intenso de café fresco, sol quentinho no rosto em um dia meio frio, o alento que dá olhar pela janela e ver a vida barulhenta que se esconde em um bairro silencioso. Aquele cheiro doce e suave de alguma lembrança boa que você não sabe direito qual. Aquela sensação boa de conhecer algo novo, mas familiar. Doce e intenso, suave e marcante.

É, novo e familiar. Uma coincidência feliz foi conhecer o trabalho da Lívia e do Markus quando estava de mudança, voltando a morar na casa da minha infância. Um momento completamente novo, uma pessoa completamente diferente. Mas o espaço é familiar. O conforto acolhedor, os cheiros, as sensações. O café, o sol, a janela. E uma trilha sonora perfeita para lembrar e construir lembranças.

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Crédito na imagem

Quer conhecer o porquê de tudo isso? Confira a entrevista completa com a Lívia e o o Markus e conheça um pouco sobre os projetos novos do duo. Eu posso apostar que algo vai acontecer com você também.

Armazém de Cultura: Versos que Compomos na Estrada transmite uma sensação de movimento e, ao mesmo tempo, a música de vocês trazem aparenta uma relação muito intensa com os espaços, os lugares. Como foi a escolha desse nome e como ele reflete nas canções?

Versos que o Compomos na Estrada: O nome Versos Que Compomos Na Estrada surgiu na realidade antes mesmo do duo existir, surgiu durante a elaboração de um projeto prévio que unia nossos shows de carreiras solos em uma viagem que pretendia passar por várias cidades brasileiras. Praticamente um mês depois o produtor do nosso primeiro disco nos incentivou a formar o duo, pois evidentemente não fazia sentido uma turnê de shows separados sendo que já éramos parceiros de diversas canções. Nascia assim de fato o duo. Óbvio que o projeto inicial nunca aconteceu, mas o duo sim.

AC: Continuando na multiplicidade de sentidos proposta pelo nome, enquanto apreciávamos o disco e os singles do Versos que Compomos na Estrada interpretamos a ligação do tempo como matéria prima para questões que comentamos como lugar/espaço. Vocês acreditam que passar com a música por várias cidades vem transformando a ideia do que é permanência enquanto casa da arte que produzem? Poderiam comentar um pouco a respeito?

Versos: Com certeza, ao longo da nossa estrada conhecemos muitas pessoas, lugares e artistas que sempre nos acrescentam novos olhares. Poder compor em outros lugares, com outros artistas, de outras formas que não somente a nossa, é muito interessante e sempre nos gera novas canções e percepções também.

AC: Vocês fizeram uma turnê pela América Latina antes mesmo de lançarem o primeiro disco e agora se preparam para ir para a Europa, certo? Tanto nas casas de shows que fazem, quanto na rua, como vocês sentem a aceitação do som que fazem fora do país?

Versos: Sim, viajar talvez seja o principal motor desse projeto. Nossa intenção é imutável… levar nossas canções por aí! A recepção, do nosso ponto de vista, foi e sempre é muito gratificante. Na Argentina por exemplo, ficamos emocionados com o respeito que o público tem aos artistas… no primeiro soar de um acorde todos em silêncio apreciam e nos encantaram! No Uruguai esse mesmo carinho.

2017 - ASPAS_ABRE ASPAS

Nossa viagem pela Europa agora, a mesma coisa. Público super respeitoso e carinhoso com a gente.

No Brasil nosso público é muito querido e participativo. Queremos sempre levá-los pra casa… (risos) Sério! Já fizemos isso algumas vezes! Um dia contaremos a história do Patrick… (risos).

AC: Como foi o encontro de vocês? Contem um pouco da trajetória do Versos!

Versos: Nos conhecemos por meio de um produtor que tínhamos em comum na época em que tocávamos nossas carreiras solo. Desse ponto em diante começamos a compor juntos e logo nos aproximamos do Dani Altman, produtor do nosso primeiro disco – homônimo. Esse disco foi muito especial e importante para nós. Aprendemos uma construção de canções e vozes de uma perspectiva bastante artística que o Dani nos incentivou a fazer, madrugadas a dentro em sua casa. Saudosos tempos!

Em uma segunda etapa, nos aproximamos do Lucas, o produtor do nosso segundo disco – Desate. Nesse momento, já com nossa essência bastante resolvida, pudemos contar com a parceria de outros artistas que somaram bastante à musicalidade do Versos, que agora tornara-se banda! (risos). Mas, continuamos também com os shows no formato duo que é a base, o “lugar” onde tudo começou e, de onde as canções sempre começam!

Estamos finalizando atualmente o segundo disco da trilogia que veio após o homônimo (primeiro disco). Este novo trabalho terá o nome “Um verão qualquer”, e traz canções inéditas. Estamos ansiosos para lançá-lo! ❤

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AC:  Ainda dentro desse tema, como funciona a composição das músicas do Versos que Compomos na Estrada? Um processo que pode ser tão solitário quanto compartilhado, como funciona para vocês?

Verso: Humm… Cada canção tem história distinta. Mas, basicamente as letras surgem de melodias e harmonias já construídas no violão pelo Markus. Algumas levam cinco minutos, e tem o caso de outras levarem 2 anos até ficarem prontas mesmo. No fim, fazer canções é das coisas mais gostosas da vida pra gente! ; ]

AC: O Pedro Gabriel (Eu Me Chamo Antonio) fez a arte da capa o disco e vocês fizeram a canção “Eu Me Chamo Antonio” para o formato digital do terceiro livro dele. Como foi essa troca musical e poética?

Verso: Ahhh!!! O Pedro é muito querido. Somos admiradores da sua arte. Foi a arte que nos aproximou ainda em 2013, perto do lançamento do seu primeiro livro e nós, na época estávamos produzindo o nosso primeiro disco. Hoje somos grande amigos e compartilhamos nosso cotidiano. Inclusive, no disco novo temos uma canção que fizemos com ele. Se chama SALINAS. ❤

A letra Eu me chamo Antônio é do Pedro e depois, junto com o Markus, desenvolveram musicalmente o poema, a partir de uma melodia do Pedro também! Foi uma honra podermos gravar essa canção, ainda mais com o time de peso de artistas que admiramos muito como o Gero e o Nicolas Krassik e com a produção do Lucas Mayer.

AC:  E por falar nisso, que artistas vocês consideram referência para o som de vocês? E o que vocês têm escutado atualmente?

Lívia: Ixi… São tantas as minhas referências, tão diversas, de épocas diferentes da minha vida, que fica difícil definir quais artistas influenciam no meu trabalho hoje. Na verdade, todos eles têm sua parte nesse latifúndio… (risos)

Atualmente tenho ouvido muito Angus&Julia Stone, Milton Nascimento (por conta da minha filha! <3), Chico Buarque (insuperável para mim!), e me peguei viciada no último disco da Banda mais Bonita da Cidade, achei o repertório fino, ousado e bastante delícia (e isso não é porque eles gravaram uma música do Versos, mas, realmente me laçaram!)

Markus: São muitos artistas que mexem comigo e as vezes fica difícil entender quais são uma influência, quanto e como influenciam, mas, de maneira geral os artistas que tomo como referência nas música que produzo hoje vem de lugares que se relacionam à minha história pessoal. São basicamente 3 linhas gerais:

Por um lado a música e cultura nordestina que sempre me acolheu. Artistas como Humberto Teixeira, Gonzagão, Dominguinhos e Hermeto.

A música argentina e chilena que ouço meu pai tocar ao piano desde cedo. Artistas como Mercedes Sosa, Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, mas também Piazzola e Cacho Tirao. E por último e isso só entendo como um resultado da globalização da cultura americana e o fato de ter me envolvido muito com o mundo do surfe quando mais novo, que são artistas como Jack Johnson e Bela Fleck, que me levaram a Bob Dylan e por fim aos precursores do blues como Robert Johnson e Blind Blake.

AC:  Para encerrar, comentem os próximos planos do duo! Na apresentação para o ShowLivre vocês comentam o projeto da trilogia de ep’s que estão organizando. Poderiam contar mais a respeito?

Versos: Lançaremos o segundo compacto dessa trilogia no retorno da nossa viagem. O primeiro disco se chama DESATE e o segundo leva o nome de UM VERÃO QUALQUER. O terceiro ainda estamos pensando… e deve ser lançado ainda esse ano, no final de 2017. ; ]


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