Abre Aspas

MINIDocs: Entrevistas com Bruno Piazza, Paulo Novaes e Bruna Caram

Entrevistas realizadas originalmente para a reportagem especial MINIDocs: “É um dos momentos mais frutíferos na música no Brasil”

Outras conteúdos sobre os artistas no Armazém:

2014

Especial de Aniversário – Paulo Novaes e Bruna Caram 

Bruna Caram: Cantadora de histórias especialmente criativa

Dica de Segunda Especial – Paulo Novaes

As três pontas do Oritá

2015

Música do Dois: Encontro Sublime

Imagens: Michelle Voloszyn – Zoe Films 

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Paulo Novaes: Eu avalio essa cena como um momento muito importante, muito positivo, muito democrático, muito rico da música brasileira. Já vem de alguns anos e acho que isso vem se perpetuando e continua aparecendo muitas pessoas talentosíssimas que vem compondo e enriquecendo cada vez mais essa cena atual, que acho que se deve muito aos meios de comunicação. A forma de se consumir a música é muito mais democrática hoje em dia. Antigamente você tinha basicamente só a TV e a rádio, então você era praticamente obrigado a gostar de certas coisas, a ouvir certas coisas. Hoje em dia, com as redes sociais, você vai atrás do que realmente te interessa. Então eu acho que hoje é muito mais difícil você alcançar o mainstream, principalmente esse estilo de música brasileira sem ser o estilo da massa, mas por outro lado existe uma democracia muito maior. Acho que qualquer artista de qualquer gênero vai encontrar seu público e vai conseguir fazer uma carreira bacana justamente por causa dessa democracia. Então eu avalio como um momento bastante positivo sim.

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Bruno Piazza: A cena musical no Brasil sempre foi e sempre será gigantesca, cada dia aparecem inúmeros trabalhos e artistas excelentes. Acho que a importância do MINIDocs está em mostrar para artista e público que tem sim gente de olho no que acontece na cena independente no Brasil. Não é um projeto que busca abraçar e evidenciar TUDO o que acontece, mas o suficiente para tentar estimular novos produtores a produzir mais projetos como esse no Brasil. Na minha opinião, esse intercâmbio de trabalhos e artistas acontece e vai acontecer cada vez com mais frequência naturalmente. O primeiro de tudo é que todo mundo se conhece, respeita e, em muitos casos, são amigos. O fato de dividir palco, experiências musicais e/ou discos, etc., é a prova de que o trabalho de um se fortalece com o do outro. Todo mundo ganha: público, artista e projetos culturais.

Bruna Caram: Tenho o maior orgulho da minha geração. A música brasileira pode ter perdido muita mídia nas últimas décadas, mas o que se faz na música independente no país é simplesmente maravilhoso. A quantidade de ótimos compositores é incrível e o público é fiel, atento, multiplicador. Para mim a música brasileira atual é uma música de resistência. Surgimos na época de decadência das gravadoras, assistimos ao surgimento das plataformas virtuais que subtraem Ainda mais a venda de CDs, estamos em plena crise, mas não desanimamos. Somos criativos. Somos uma geração de riqueza e coragem.

 

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Bruno Piazza: Hoje a gente quer estar próximo do artista, saber como ele vive, o que ele faz, se ele é uma pessoa bacana com quem está em volta, se é bem-humorado. Tudo isso influencia como o público e artista se relacionam. Tem muito artista incrível que tem milhares de fãs e inscritos em seus canais de Youtube, Instagram, Facebook, etc.. mas ainda tem dificuldade de levar 100 pessoas pro show. Tem outros que levam milhares de pessoas no show, mas seus canais digitais não estão bem estruturados. São diversas variáveis e ninguém sabe o que vai acontecer daqui 5 anos com muita certeza. Temos vários palpites, um consenso que se vê por aí é que canais de comunicação pessoal (como o Instagram, por exemplo) serão os grandes responsáveis por essa dinâmica.

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Oritá

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Paulo Novaes: É um projeto espetacular. A minha gravação no MINIDocs foi uma experiência muito bacana. É uma megaprodução, nos mínimos detalhes, é muito bem feito. Acho que é diferente da maioria das coisas que eu vejo na internet, eles prezam muito pela qualidade, isso é muito importante. Porque além de pegar artistas que tem trabalhos interessantes, que tem conteúdo, e tem muitos canais que tem um conteúdo muito bacana também, mas que também não prezam muito pela qualidade do áudio, eu digo mais especificamente, a qualidade da imagem. O MINIDocs além de ter um conteúdo muito interessante, uma curadoria muito bem-feita, ele tem esse diferencial de ter a qualidade extrema e absoluta do áudio e da imagem em qualquer vídeo que eles soltam e enfim, é muito bem feito, super atenciosos, super organizados, uma produção muito bem feita, um projeto incrível e que sabe aproveitar muito bem esse novo cenário da música brasileira e dando oportunidade pra quem as vezes não tem oportunidade de ter esse registro. Eu agradeço muito ao MINIDocs e a Zoe por esse convite e enfim, é um projeto espetacular.

Bruno Piazza: (sobre suas diversas participações no projeto) Sim, com o Pedro Alterio no nosso trabalho Música dos Dois e com o Oritá, trio instrumental com o Gabriel Alterio e Fi Maróstica. Além deles participei no do Paulo Novaes e no do Gabriel Sater também. Faço parte da equipe de produção do MINIDocs, mas não da curadoria. Acho que estar nestas duas frentes é algo natural para todo mundo que hoje trabalha ou pretende trabalhar com música. Muitos artistas que conheço são hoje seus próprios empresários, produtores, etc.. e isso é uma coisa maravilhosa! Todos eles quando adotaram a ‘auto-gestão’ melhoraram seus cachês, sua frequência de shows, de conteúdo, fãs, etc. O difícil é separar o músico do produtor na hora de se dedicar exclusivamente à música, mas isso vem com o tempo, acredito. No final um complementa o outro, pois você consegue ter conhecimento e motivação para trabalhar em prol do trabalho, sem prejudicar quem está em volta.

Bruna Caram: A Gargolândia, além de ser um estúdio incrível, fica na fazenda da família Alterio, grande amiga da minha família desde que eu era criança. Os meninos, Pedro e Gabriel, e a Mari, são amigos do coração, já passamos muitas temporadas na Gargolândia. Tenho o maior amor por aquele lugar, que pulsa música e encontro. Então não podia ser melhor. Ainda quero gravar um disco lá. E quero gravar meu próprio MiniDocs também com minha banda!

 

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Paulo Novaes: Em relação ao meu projeto com a Bruna. Eu e a Bruna somos primos né, a gente tem um projeto que é meio eterno assim, na verdade, não são novos projetos, é o mesmo projeto que é o nosso dueto, que já foi com banda. Hoje a gente está com um dueto, a Bruna no acordeão e eu na guitarra e acho que a nossa parceria é eterna. Até porque a Bruna ela não é bem minha prima, ela é aquela prima irmã, a gente foi criado juntos e eu considero a Bruna minha irmã. E sim, a gente tem muitos planos, inclusive a gente vai dar uma intensificada na agenda agora, vamos atrás de marcar alguns shows, vão ter alguns shows em São Paulo e também pelo Brasil e ano que vem a gente deve voltar pra Europa, onde a gente já fez duas turnês e onde teve uma repercussão incrível e a gente conseguiu contatos muito bacanas com pessoas muito legais lá, então a gente deve voltar. Mas antes disso fazer bastante no Brasil e principalmente em São Paulo que a gente ainda não fez esse show nesse novo formato aí. Mas resumindo, o meu projeto com a Bruna, nossa parceria, é eterna.

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Bruna Caram: Paulinho é o primo mais novo que tive o prazer e orgulho de assistir crescendo como compositor. Começou muito novo e logo compôs algumas das minhas músicas favoritas! Quando ouvi Bem-Vindo pela primeira vez, parecia que estava me olhando o espelho. Desde estão compomos juntos e estamos sempre cantando juntos, por isso fazer o MiniDocs juntos foi muito especial e natural. A Gargolândia, onde gravamos, também contribuiu pra sensação de estarmos em casa, em família. Pretendemos retomar o show em dueto esse ano e viajar mais para fora do Brasil ano que vem.

 

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Paulo Novaes: Em relação aos novos planos, eu estou iniciando a pré-produção do meu novo álbum, que irá se chamar “Baú do coração”. Está tudo bem encaminhado, provavelmente a gente deve lançar no ano que vem, gravar valendo em janeiro, provavelmente, isso é quase certo. Mas até o fim do ano eu já vou pré-produzir tudo para gravar em janeiro e ter até o fim do ano para terminar tudo. O que eu posso adiantar é que vai ser um disco provavelmente, ou quase certeza absoluta, sem banda, vai ser um disco um pouco diferente, com guitarras e violões. Um disco mais cru, não sabemos ainda, até tenho algumas ideias, mas nada muito certo. Mas é um disco que já está bem encaminhado sim, repertório, conceito, ideias, quem vai trabalhar, quem vai me ajudar, já está tudo bem definido e é isso, o ciclo do Esfera tá chegando ao fim, ainda pretendo fazer mais alguns shows, mas agora já estou começando a focar no meu próximo trabalho, que é o “Baú do Coração”.

Bruno Piazza: Vish! Essa é a pergunta mais difícil! Conversei com o Pedro sobre produzir um novo trabalho, mas ainda não começamos nada de fato. Com o Oritá gravaremos um EP em Outubro/Novembro, estamos compondo e experimentando coisas novas. Estamos animados!

Bruna Caram: Estou muito feliz com a turnê do Multialma e ainda temos muita estrada para gastar, ainda bem! Junto com isto, estou terminando meu próximo livro (lancei meu primeiro, Pequena Poesia Passional, em 2015), compondo novas canções que provavelmente vou lançar como single, e estudando interpretação pois não vejo a hora de trabalhar como atriz novamente. Minha necessidade de fazer arte só aumentou. Ainda bem!

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