1 Resenha Por Dia

Black Dog: Os sonhos de Paul Nash (Dave McKean)

 

*Por Meiri Farias

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Sonho é um tema que desperta fascínio com facilidade. Há explicações psicanalíticas, há explicações sobrenaturais, de Freud a Jung, passando por uma incontável quantidade de lendas e relatos mitológicos, todo mundo já tentou explicar por que sonhamos e qual é a origem dessas imagens malucas – por vezes utópicas, outras perturbadoras – que o nosso cérebro é capaz de gerar quando estamos em repouso. Não há veredito, mas dentro da arte, espaço para explorar a temática é o que não falta. Na resenha de hoje, um velho conhecido do Reino do Sonhar: Dave McKean.

Com uma carreira repleta de obras premiadas, o multiartista Dave McKean (quadrinista, ilustrador, cineastas e músico) é constantemente lembrando pela longa parceria com o quadrinista Neil Gaiman, principalmente nas artes de capa de Sandman, não por acaso a HQ que acompanha a jornada se Morpheus, o senhor dos sonhos. Em Black Dog, McKean se debruça outra vez sobre temática, em um relato em quadrinhos da vida, memórias e sonhos do pintor britânico Paul Nash.

Com edição de capa dura caprichada da Editora Darkside, Black Dog é dividida em capítulos que acompanham a história de Paul Nash por meio de seus sonhos e da presença constante do cachorro preto que faz incursões frequentes nos passeios pelo subconsciente do artista. Para efeito de contextualização rápida, Paul Nash foi pintor durante a primeira guerra mundial e se tornou conhecido por suas obras sobre o conflito e a influência surrealista. Na HQ de Dave McKean, originalmente uma encomenda do Lakes International Comic Art Festival, a personalidade do artista é remontada por episódios marcantes de sua história.

Cada capítulo é um sonho narrado com técnica de pintura diferente. Há surrealismo, impressionismo e até referências que recordam o cubismo no traço de Dave McKean. O artista é muito eficiente em conduzir a narrativa graficamente que, de tão de expressiva e detalhada, até dispensaria texto verbal. Ainda assim, os balões de McKean acrescentam outras  camadas de significado aos pensamentos de Nash. O trauma da guerra, temática já esgotada no cinema e na literatura, ganha cores contrastantes que passeiam do vermelho sangue ao marrom, ao ocre desbotado, conduzindo o leitor pelas sensações que o autor tem sobre a obra de Nash.

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As perspectivas de vida, morte, violência são recorrentes nos “sonhos” de Nash. O horror da guerra não tem glamour hollywoodiano, mas uma sinceridade que revela as marcas do conflito no pintor. McKean demonstra profundo conhecimento sobre a biografia do artista, porém o mais notável é sua afinidade com os sentimentos e a facilidade de demonstrar graficamente os “fantasmas” que seguiram atormentando Nash. A leitura é intensa, mas fluída. 

Black Dog foi lançada no Brasil no FIQ (Festival  Internacional de Quadrinhos) durante um painel com a presença de McKean.

“A arte é uma máquina de empatia. A arte permite a alguém observar através dos olhos de um companheiro humano. Isso é tudo que posso fazer. É a nossa única esperança. Vou restituir as palavras e as verdades amargas para aqueles que desejam que essas guerras continuem para sempre. Espero que meus ocres, os meus marrons e os meus óxidos queimem suas almas amargas” (McKean em Black Dog)

Título: Black Dog: Os sonhos de Paul Nash

Autora: Dave McKean

Publicão: Editora Darkside

Ano: 2018

Avaliação:

Untitled design (9) ¹/²


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